quindins velhos


by noyz©

This page is powered by Blogger. Isn't yours? Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com



{Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009}


### Os últimos serão os primeiros a se atrasar...

Quem sou eu? Onde estou? De onde vim? Pra onde vou? E da onde veio essa dor de cabeça? E o enjôo, por que se assoma? E essas serpentinas enroladas no meu pescoço, como vieram parar aqui? E porque cai confete do meu cabelo quando balanço a cabeça? É melhor não balançar mais a cabeça.

É o carnaval, carna vale. Era pra ser uma festa que antecede a quaresma. Ou seja, enfim, essas paradas que eu não sei explicar. Que ninguém sabe explicar. Um lance que meio que se festeja antes dos quarenta dias de privação e penitência até a páscoa. E a páscoa é um feriado que rola num domingo, após a primeira lua cheia, a partir do equinócio do outono.

Bom, este último parágrafo foi inspirado em coisas que eu li no Google. Dá pra notar. Filhos da puta. Eu não to legal, não agüento mais birita. Minha cabeça pulsa, a ressaca é minha amiga fiel, e EU te considero, EU TE CONSIDERO, tá ligado. Tu é gente fina, é dos meu.

Eu sou da velha guarda. Tenho vários carnavais no lombo, mas não me lembro precisamente de nenhum deles. É como se todos fossem um só, um grande folguedo unido pelos tempos todos. Muitas festas em uma só. E esse carnaval que passou só aumentou um pouco mais essa minha memória fragmentada. E, agora, depois de tudo eu penso: Pra que isso tudo?

: Quindim é festa
: Se achar alguém caído
: É o que resta.

Assim escreveu Roberval Piriri, chegando em casa agora, com problemas de coordenação motora e de humor. Não brinquem comigo. E ISSO È UMA AMEAÇA!


postado por quindim#neurótico 5:18 PM



{Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009}


### Mais feio que paraguaio baleado...

Ahhh! Buuu! E aí, assustou? Eu sou um monstro. Tenho corcunda, olhos esbugalhados e uma cicatriz no pescoço. Meus dedos são mais longos do que o normal em um ser humano. Tenho veias saltadas na testa. E no cú. Minhas narinas são grandes o suficiente pra guardar uma bola de bilhar do lado esquerdo, e uma de boliche do lado direito. A testa tem umas erupções cutâneas com quatro centímetros de altura. Eu sou anormal.

Apesar disso, respiro e me alimento normalmente, mas bebo coisas que não são usuais para os outros habitantes deste planeta. Rosno quando algo está errado, mas não mordo. Tenho pena de morder. O meu cabelo é duro, quando coço a cabeça caem grãos de areia, tenho grãos de areia de praia pelo meio do cabelo. E faz anos que não vou à praia. A minha pele demonstra que minha sarna ainda não está curada. E também demonstra que nenhum cuidado quanto a isso vem sendo tomado.

Sou um monstro, e acho que o sol deveria acabar. Prefiro a noite, mas não dispenso acordar de manhã cedo. E tem essas antenas que instalei na minha cabeça. Pareço o chapolim. Era pra ser uma coisa horrível, mas as pessoas dão risadas. Sou um monstro que vive em um paradoxo: sinto-me bonito quando estou feio. Mas como saber se estou realmente feio, se quando estou bonito me acho feio?

Não consigo mais. Desisto. Desisto de ser monstro. Queria ser que nem o Brendom, aquele, o dos Walsh. Eu queria ser amigo de Kelly, da Brenda e da Donna. Ser o vizinho da Daryl Hanna, só pra beijar a sua bundona. A Daryl Hanna, e sua bundonaaaaa. Lá em Beverly Hills. Vander Vildner é gente como a gente.

: Quindim é feio
: Assusta até o demônio
: Que é do meio.

Assim escreveu Roberval Piriri, que não se importa em ser só mais um rostinho bonito.


postado por quindim#neurótico 4:34 PM



{Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009}


### A fé remove montanhas, mas com dinheiro é mais fácil...

Comecei há muitos anos atrás. Foi difícil limpar aquela área, o mato era bem fechado. Passava o dia inteiro derrubando árvores, arrancando arbustos e capinando. Depois deixei todo o terreno plano, tapando os buracos com carrinhos e mais carrinhos de terra. Uma trabalheira.

Daí comecei a trazer os tijolos, no braço, um por um. Empilhava-os e tacava cimento por cima. Foi a parte mais pesado do serviço. Os tijolos eram bem maiores que o normal. Mas era assim mesmo que eu queria, pra que o efeito final ficasse impressionantemente do caraio.

A arquitetura, a engenharia, a mão de obra, foi tudo feito por mim. É claro que usei alguns livros que eu tinha sobre esse tipo de construção, mas a formulação geral saiu da minha cabeça mesmo. É claro, tive alguns problemas técnicos no meio do caminho, mas nada que o bom e velho jeitinho brasileiro não resolvesse.

Mas ficou pronto. E tá muito bonito. Bem diferente do que se costuma ver por aí. E tudo feito pelas minhas mãos. Mãos calejadas de trabalhador. E agora olho pra esse castelo, com as bandeirinhas vermelhas nas torres e os grandes portões de ferro e me orgulho. É todo meu.

: Quindim é ética
: A ciência da moral
: Hipotética.

Assim escreveu Roberval Piriri, que vai se candidatar a rei nas próximas eleições.


postado por quindim#neurótico 5:27 PM



{Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009}


### Nunca deixe pra amanhã o que tu nunca faria...

Sou relaxado. É uma constatação. Eu sei, é verdade. Não tenho vontade de reagir. As coisas dependem de mim pra serem feitas, mas eu olho pra elas e digo: tudo bem, elas precisam ser feitas, mas não agora. E elas ficam ali, esperando por um milagre.

Tem um dente meu, um molar, que tá quebrado desde as últimas eleições, essa pra prefeito que teve no ano passado. Tirei uma lasca da bosta do dente durante um churrasco de um candidato. O churrasco tava duro. Enfim, o que eu quero dizer é que, desde então, venho pensando em marcar uma visita no dentista. E até agora, nada.

Eu ganhei uma camisa de presente de natal. Uma camisa feia, ela brilha no escuro. Eu mantenho a etiqueta da Rener, pra que eu possa voltar lá e trocar por alguma outra coisa menos chamativa, entende, alguma coisa com menos partes prateadas. De preferência com nenhuma parte prateada, mas eu sei que isso é muito difícil nessa era em que as lojas só vendem roupas modernas. Mas a camisa continua lá, aguardando por minha vontade de ir trocá-la.

Minha moto tá com o óleo velho. Normalmente se troca o óleo do motor com mil, mil e quinhentos quilômetros rodados, mas a minha moto já tá batendo os dois mil. Não sei muito bem que danos isso pode causar ao motor, não sei se isso pode me custar muito dinheiro em um futuro próximo, só sei que ainda não tenho previsão da data em que vou fazer este serviço. E nem da quilometragem que essa coitada alcançará sem estrebuchar na rua.

Sou relaxado mesmo. Ainda não cortei o cabelo e nem a barba. Não arrumei esta merda de computador. Não cortei a grama, ou melhor, o mato. Não troquei a lâmpada do banheiro. E não limpei a mijada que deixei ao lado da patente, ontem de noite. Eu sei, são muitos problemas. Mas e daí? Isso é problema meu, putamerda! Por acaso alguém tá querendo resolver algum dos meus problemas? Então me deixem em paz! PORRA! Ah, merda, quebrei a mesa do computador. Tudo bem, amanhã eu arrumo.

: Quindim é vagal
: Só faz algum exercício
: No carnaval.

Assim escreveu Roberval Piriri, que tinha pensado numa frase bem joinha pra escrever aqui. Mas não deu tempo, então fica pra semana que vem.


postado por quindim#neurótico 5:24 PM