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quindins velhos
by noyz©
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
### O sol nasce, o chefe manda, a árvore cresce e o urso panda...
Bom mesmo é árvore. É afudê. Agora, no verão, fica aquele solão comendo frouxo, torrando o pelego do animal. É por causa desse lance do buraco do Ozônio, que fica arregaçado e esmerdiando todo mundo. E aí, o que fazer? Eu digo, meu velho: vai pra debaixo duma árve e fica ali, na sombra, só se rindo do sol.
Árvore é legal até de ficar olhando. Ela balança com o vento, sacode, vai e volta de novo. Trimassa essa atitude da árvore. E fica melhor ainda se tu tiver bebendo um trago, que daí tu balança junto e acompanha o movimento da árvore. Dá até pra fazer de conta, tipo um exercício, que tu também é uma árvore. Diversão pura.
A melhor coisa do meu trabalho são as janelas. Elas mostram várias árvores, é quase uma floresta, uma mata espessa que ainda vive ali atrás do aeroporto. E eu fico olhando, em intervalos regulares, pra não chamar a atenção da chefia, praquele bosque encantado. E olho pra lá e fico pensando: putamerda, ali não pode ter duendes. Eles não PODEM estar ali. Isso é impossível. Ah, bosta, o chefe tá vindo pra cá.
Na minha casa não há grandes árvores, o terreno é pequeno. Mas, mesmo assim, fiz questão de arrumar um cantinho pra plantar um limoeiro. E ele tá crescendo, já consigo até ver algumas das suas folhas verdes pela janela do quarto. E imagino que, daqui a alguns anos, vou poder ficar deitado na cama olhando o limoeiro balançando aquelas folhas todas. E bebendo uma caipirinha.
: Quindim é raiz
: Tá mais afundado do que
: Dedo em nariz.
Assim escreveu Roberval Piriri, que sempre tentou, mas nunca conseguiu ter o melhor emprego do mundo: o de fiscal da natureza.
postado por quindim#neurótico 5:55 PM
Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
### No dia que eu parar de beber, vou tomar um porre pra comemorar...
Às vezes eu me assusto comigo mesmo. Putamerda, beber uma garrafa de cachaça por dia não é uma coisa normal. Ou um garrafão de vinho. Ou umas dezoito cervejas. Ou trinta e duas dozes de conhaque. Ou tudo isso junto, no mesmo dia. Não, isso não é normal.
E o que falar daqueles restaurantes a quilo. Eu não sei comer socialmente. Quando coloco o meu prato na balança o display mostra um quilo e duzentos de pura carne sangrenta. Também não é normal comer oito ovos cozidos durante a ressaca. Ou uma lasanha congelada, enquanto a outra está descongelando. E o pote de sorvete, que some em oito minutos? Estou em crise. E como essa crise todo o dia no meu café da manhã.
Também não faço exercícios. Não corro, não subo pelas escadas, não desço pelas escadas, não assopro as várias velas do meu bolo de aniversário. A idade pesa, e eu não consigo carregá-la. Tá pesada mesmo. Trinta e duas toneladas. Olho pra bicicleta enferrujada que tá jogada lá na garagem e o máximo que consigo pensar é: será que eu consigo vendê-la?
Tudo acabou. Tô nas finais. Cheguei ao limite. Não consigo mais. Fali as juntas. Escrevi por acaso. Perdi o tempo. É a despedida. Não consigo mais. Que merda. É o estresse. Mas, peraí! Tô pensando. Sei lá. Talvez. Vamos ver. Quem sabe. Acho que a depressão tá passando. Peraí. É, tá passando. Tá tudo voltando ao normal. Tô melhorando. OK. Acabou. Tô legal de novo. Vou comemorar. Vou abrir uma cerveja. A primeira do dia.
: Quindim é chave
: Só falta o combustível
: Pra ligar a nave.
Assim escreveu Roberval Piriri, que nunca chegou no fim do poço. Só no fim do barril.
postado por quindim#neurótico 5:17 PM
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
### Sorte é achar uma palha num agulheiro...
O cara não pode reclamar da vida. Sempre tem alguém mais fudido, não adianta. Sempre tem um gordo usando calças apertadas, ou um bebum sem dinheiro, ou alguém espirrando na cara do chefe, ou um pneu furando durante um temporal.
Um vizinho meu, por exemplo, não tem as bolas. Mas veja bem, na verdade eu nem conheço o cara direito, só cumprimento quando passo por ele na rua. Só sei que o sujeito não tem as bolas porque a mãe dele espalhou pela vizinhança. E não sei o que é o pior: não ter as bolas ou ter essa história espalhada pela mãe.
Sim, a mãe do cidadão faz questão de alastrar a sua biografia pra todo o povo da terra. Seu filho não tem as bolas. Não sei, e nem me interessa muito saber o motivo. Talvez ela até já tenha me dito, mas eu devo ter eliminado da minha mente, talvez por uma questão de compaixão com o próximo.
E eu ainda reclamava da minha mãe, quando era mais piá. Dizia que ela me envergonhava por causa das calças apertadas que ela me vestia. Puta merda, eu era gordo, precisava de calças mais folgadas. Eu precisava de espaço, afinal, eu tinha as minhas bolas.
: Quindim é sorte
: Quando ganha na loteria
: Assusta e morre.
Assim escreveu Roberval Piriri, um azarado que não consegue ganhar no jogo de azar.
postado por quindim#neurótico 5:30 PM
Quinta-feira, Janeiro 08, 2009
### Não xingo, não fumo e não bebo. Só que, puta que pariu, esqueci meu cigarro lá no bar...
Bom, eu não tava muito a fim de trabalhar, daí pensei: “vou fazer algo diferente”. E então fiz um exercício de mentalização e imaginei que estava em um outro ambiente, entende, gerei algumas imagens daquilo que desejava no plano objetivo, enfim, criei um lugar mais trimassa. Fiz de conta que tava em um bar.
E, de repente, minha mesa tinha se transformado em um balcão de bar. E tudo que estava em cima dela tinha se transformado em garrafas e cinzeiros e potinhos cheios de amendoim. E eu peguei um copinho plástico com água gelada e aquilo virou uma caneca de chope. E era chope sem colarinho. E eu fiquei ali durante horas, só bebendo o meu chope encostado no balcão.
E quando passava alguém por ali, eu dava uma rizadinha faceira e fazia um brinde com minha caneca de chope. E quando a secretária de oitenta anos passava por ali, eu dizia: “Ei gatona, posso te pagar um drinque?”, e ela não entendia nada. Ninguém entendia nada.
E quando o meu chope acabava, eu ia lá na máquina e me servia mais. Sempre sem colarinho. E eu bebi vários. E passei o dia bebendo, e no final da tarde já tava trocando os pés. E foi o melhor dia de trabalho da minha vida. E o melhor de tudo: não precisei pagar a conta na saída.
: Quindim é bordel
: Quem mais freqüenta
: Ganha um troféu.
Assim escreveu Roberval Piriri, tentando recomeçar a vida da melhor maneira possível, depois dessas duas semanas de bebedeiras festivas.
postado por quindim#neurótico 5:05 PM
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