quindins velhos


by noyz©

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{Quarta-feira, Dezembro 31, 2008}


### Minha vida é um litro aberto...

Ano novo, novas expectativas, novas experiências. Então, pra começar, nada de pernil assado. Desta vez no Rebeilon eu quero algo realmente novo, já que é uma festa que anuncia a chegada de um novo ano. Nesta virada eu quero arroz com feijão. NOVIDADES! Entende? Eu quero novidades! Talvez um bifão, só pra fechar com chave de ouro.

E em lugar dessas idosas frescurites gasosas, como champanhe, cidra e espumante, quero bebidas novas. Pode ser, só pra inovar, conhaque. Com o benefício de diminuírem-se os arrotos patrocinados pelos fermentados.

Roupa branca? Nem pensar. Porra, se o esquema é inovar, o lance é SEM roupas, até pra aproveitar o início do verão. No máximo uma zorba preta. Porque ir em festa de Reveion usando cueca do Ramones é, sem dúvida, uma coisa nova.

Lentilha, sete pulinhos no mar, abraços e apertos de mão em gente desconhecida, oferendas pra Iemanjá, frutas, promessas furadas pro próximo ano, panetone, Faustão e fogos em Copacabana na TV, velho, esquece.

Vou fazer tudo diferente. Tudo novo. Mas só até a meia noite do último dia do ano. Porque depois que 2009 começar, pronto: já ficou velho. E daí até aceito um naco de lombinho e uns goró de cidra. Bastante cidra, que é pra começar o ano novo do mesmo jeito de sempre: de ressaca.

: Quindim é novo
: Quando tenta ser original
: Não muda um ovo.

Assim escreveu Roberval Piriri, que não deseja um próspero ano novo pra ninguém, porque isso é muito antigo. Prefere algo como: UMA DITOSA TRANSLAÇÃO DA TERRA PARA TODOS!


postado por quindim#neurótico 6:11 AM



{Quinta-feira, Dezembro 25, 2008}


### O meu presente eu quero com duas pedrinhas de gelo, por favor...

Bá, não pensei duas vezes: meti o dedão no nariz e tirei o tatu desgracento que tava se escondendo lá dentro. Pode me chamar de porco, nojento ou relaxado que não me importo. Me importo é com aquela goma dura amofinando a minha respiração. É o lance da poluição, sujeira suspensa no ar que vai se acumulando nos pêlos ciliares da napa. E quando tu nota, tem um baita bife de gosma lá dentro.

E qual o problema de tirar a catota do nariz? Nenhum, desde que tu esteja em um lugar adequado. É como limpar a bunda: não é nada bonito, mas é necessário. E um lugar adequado pode ser dentro de um carro com película preta, em baixo da mesa de trabalho, dentro de um provador de roupas do Carrefour, conversando no MSN com a webcam desligada ou atrás da cortina da casa do sogro.

Mas nunca, veja bem, eu disse NUNCA resgate um tatu na frente do Papai Noel. O véio fica puto da cara. Eu fiz isso ontem de noite, bem na hora que o gordo colorado tava deixando os meus presentes em baixo da árvore de natal. E ele ficou puto da cara, disse que não ia deixar presente nenhum pra mim.

Mas no fim, tudo acabou bem, tudo acabou em paz. Depois da segunda garrafa que joguei no tiozinho, ele decidiu deixar os meus presentes e encerrar o caso. Afinal, como ele mesmo falou: “Mais vale um tatu na mão do que dois dentro do nariz.”

: Quindim é Natal
: Dêem tragos de presente
: Pro Roberval.

Assim escreveu Roberval Piriri, que neste Natal ganhou um cestão da empresa em que trabalha: “Cês tão fudido!”

postado por quindim#neurótico 6:00 AM



{Quinta-feira, Dezembro 18, 2008}


### Adoro o trabalho. Posso ficar horas simplesmente olhando pra ele...

Percival não gostou nem um pouco do comentário feito a ele no trabalho. E, só pra passar o tempo, refletiu profundamente sobre a glosa:

“Mas, afinal de contas, o que esse imbecil tá pensando? Acha que eu tô aqui para agradar alguém? Será que ele acha que eu tô aqui pra promover um mundo melhor? Porra, eu só quero pagar o aluguel em dia, comprar o que preciso à vista, comer uma tchanga às vezes e beber sempre. E vem esse jaguara me falar uma merda dessas? Se eu não tivesse medo de perder esse emprego, aquele filho da puta já era. Um socão no nariz, um chute na bunda e um cuspe aonde pegasse.

O que aquele imbecil falou, e daquela maneira, foi demais pra se escutar de cara limpa. Um abuso, foi de trincar os culhões. Será que ele acha que tá em um piquenique de cus-de-ferro pra me pergunta uma coisa dessas? São todos iguais. São todos escravos. A primeira coisa que eu vou fazer quando sair daqui é encher a cara, pra tentar não pensar mais no que escutei.

Não acredito que esse abostado veio até aqui na minha mesa perguntar se eu não acho que seria melhor se o governo reduzisse os feriados no ano que vem? Depois veio com um papo de que por causa desses onze feriados que cairão em dias úteis, o país vai perder até 5 por cento do PIB.

Na hora que ouvi isso, me deu uma coceirinha na garganta, uma forte vontade de dizer: PIB É A PUTA QUE TE PARIU! E o pior de tudo foi não poder dizer isso pra ele, afinal, ele é o meu chefe. Baita prevalecido.”

: Quindim é patrão
: Mesmo cheio de dinheiro
: Não vale tostão.

Assim escreveu Roberval Piriri, tentando promover mais um feriado: o Dia Nacional de Cozinhar Galo, que será comemorado sempre na primeira segunda-feira de cada semana.


postado por quindim#neurótico 6:22 PM



{Quinta-feira, Dezembro 11, 2008}


### Baratinha quando nasce, se esmigalha pelo chão...

Foi de madrugada. Sábado pra domingo. Não tava conseguindo dormir, porque na janta tinha comido feito um arigó de obra e bebido feito um camelo alcoólatra, e isso me tirou o sono. Muitos gases, entende. Daí fui pra sala, sentei no sofá e liguei a TV. E fiquei ali, peidando e vendo um desses programas de igreja, que mostram as sessões de descarrego e os exorcismos.

E então vi, num canto da sala, uma puta de uma barata. E pensei: taí, matar essa cascuda seria um bom passa-tempo. Mas quando me aproximei, já com a chinela na mão, a criatura se virou pra mim e, como posso dizer, arregalou os olhos! E eu, que nem sabia que barata tinha olhos, arregalei os meus também. De susto, compreende. Cheguei mais perto pra olhar melhor e vi ela mexendo a boca também, uma outra coisa que eu não sabia que existia.

E a barata falou comigo. Bem, na verdade ela não falou com a boca, sabe, a voz não saia da boca dela, mas era como se eu escutasse o que ela estava falando. É, eu sei, é difícil de entender, eu mesmo, até agora não entendi muito bem como aquilo aconteceu. Foi tipo uma transmissão de pensamento, um lance meio Bluetooth.

Mas enfim, o que eu sei é que ela se comunicou comigo. Isso é certo. E ela foi bem clara na sua mensagem, que foi mais ou menos assim: “Hei cara, presta atenção! Vou dizer só uma vez. Minhas companheiras baratas e eu decidimos que, a partir de hoje, essa casa passa a ser propriedade nossa. Nosso clã, que descende diretamente das baratas que aqui viviam a mais de 100 milhões de anos, nos sentimos no direito de reivindicar a posse total e irrestrita da mesma. Esta área, depois de demarcada, será chamada de Barata Serra do Sol. Portanto, tu tens dois dias para desocupar esta habitação”.

Fiquei meio apavorado no início, mas, putamerda, aquilo ali era só uma barata que tava me ameaçando. Eu não podia me cagar assim, tão fácil. Então, repliquei: “Veja bem, até acho que a causa de vocês é justa, realmente vocês tem toda a razão. Mas não vou sair daqui. Fodem-se!” E falei isso quase berrando, pra que não pairasse nenhuma dúvida sobre a minha opinião. E ela entendeu, tenho certeza, tudo o que eu falei, pois me lançou um olhar estranho, como só uma barata poderia fazer. E se foi embora, rastejando pra baixo de umas caixas de cerveja.

Depois disso as coisas voltaram ao normal. Eram somente eu, a TV e os peidos. E a insônia, pois não consegui mais dormir nesse dia. E, na verdade, tenho dormido mal desde então. Acho que é medo de represalhas. Bicho cascudo é foda. Não dá pra confiar. Tenho que dedetizar a casa com urgência.

: Quindim é asco
: Fica cheio de nojinho
: Baita fiasco.

Assim escreveu Roberval Piriri, que não gosta de criar confusão. Ela que se crie sozinha.


postado por quindim#neurótico 5:29 PM



{Quinta-feira, Dezembro 04, 2008}


### Se dinheiro falasse, o meu diria tchau...

Porra, não vem me dizer que tu tá mal, enquanto o Lula tá cavocando no pré-sal. Ou que tu não agüenta mais imposto, enquanto Santa Catarina tá no esgoto. É, velho, sempre houve alguém que esculhambou, mas eu continuo vendo o Bibo Nunes Show. Ó, essa até que rimou.

O lance é que eu não posso reclamar. Tô comendo bem. Papando, entende, digerindo, recheando o matambre, criando um bolo fecal de primeira. O que eu quero dizer é que, agora, uma vez por semana eu vou ao restaurante A da empresa em que trabalho. Há algum tempo atrás eu também ia lá, mas no máximo uma vez por mês. E naquele tempo, quando ia, ainda fazia o estrago, comia feito bicho, enchia o prato normal e o da salada, exagerava nos molhos e pegava muito mais pães do que podia comer naquele momento, só pra guardá-los nos bolsos pra depois.

Só pra explicar, pra que a piada fique mais bem entendida: onde trabalho existem dois restaurantes, o A e o B. O restaurante B é o da peonada, é o mais baratinho, onde regularmente faço minhas dignas refeições de trabalhador honrado, pobre e amaldiçoado. Possui aquela configuração padrão, composta de arroz com feijão e alguma carne. Uma carne. E de salada, alface, quase sempre. Ou rabanete. E de sobremesa arroz doce, quase sempre. E quase sempre esse arroz doce não tá muito doce.

Já no refeitório A o lance é diferente, o rango é afú, tri bem servido, tem uns três tipos de arroz, dois de feijão, uns cinco tipos de massa e trocentas bandejas de carnes: assadas, gratinadas, cozidas e, sei lá, flambadas. E tem as saladas, maiores em número e qualidade. E tem até guarnição, tipo batata frita, aqueles lances de berinjela com queijo e os ovinhos de codorna. Só que, já dá pra imaginar, isso tudo é bem mais caro do que no restaurante B.

Então, o A era coisa pra se visitar de vês em quando, entende. Tipo, no mês que o cara faz aniversário, ou quando vai sair de férias, ou em dezembro, quando pinta o décimo terceiro, e pá. Mas isso mudou, agora eu tô indo no A uma vez por semana. Me sinto bem por isso. Feliz, entende. Tô comendo bem.

: Quindim é fome
: E a palavra churrasco
: É quase pronome.

Assim escreveu Roberval Piriri, que em uma outra vida já foi um Tiranossauro Rex. E agora tá indo à desforra, comendo dois bifes a mais do que o normal.


postado por quindim#neurótico 5:39 PM