quindins velhos


by noyz©

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{Quinta-feira, Outubro 30, 2008}


### Se um dia a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela...

E agora, tchanananã! É o começo de uma nova série, que vai ser intitulada com o fodomístico nome de: “Músicas que nunca dariam certo porque ninguém ia querer cantar junto enquanto as escutam”. E essa é a primeira, em ritmo de tango.

Componente Traidor

Depois que um resistor
Interpôs-se entre nós dois
Diminuiu minha tensão
E reduzi a amplificação
Daquele transistor

Houve muita confusão
Capacitores perderam a função
E com toda essa instabilidade
Um integrado sentiu saudade
Da sua antiga polarização

(e daí vem o refão)
Tirem o resistooor
Tirem daqui esse impostooor
Pintou-se todo de preto
Pôs uma faixa no peito
Achou que era imperadooor

Mais uma vez:

Tirem o resistooor
Tirem daqui esse impostooor
Ele queria ser diferente
Queria enganar a gente
Fantasiado de semi-condutooor

: Quindim é cantar
: Um banquinho e um violão
: Pra saracotear.

Assim escreveu Roberval Piriri, que já não sabe mais o que fazer com todos esses papéis cheios de improváveis letras de música. Então, como não tinha nada melhor pra escrever, criou-lhes uma utilidade aqui.


postado por quindim#neurótico 5:38 PM



{Quinta-feira, Outubro 23, 2008}


### Eu bebo sim, e vou bebendo, tem gente que não bebe mas tá indo comprar...

Bá, foi bem por acaso. Ou melhor, foi por causa da propaganda política. Não tava afim de ver nem a cara do Fumaça nem a da Maria do Armário, então coloquei um DVD que eu tinha aqui, um do Planet Hemp, só pra passar o tempo. E aconteceu. Foi um flachback. Me lembrei de tudo como se fosse hoje:

Eu era um guri novo, foi lá por mil novecentos e noventa e tantos. Era quase uma criança. E fui num show do Planet Hemp, lá no Opinião. Quando cheguei lá na frente do bar achei alguns conhecidos momentâneos e filmei algumas pontas. Uns curta metragens, entende? E fiquei por ali, observando os brigadianos que me observavam. E então entrei no lugar e vi, pendurado lá em cima do palco, uma grande tocha envolta em papel pardo, dessas de açougueiro. E pensei: Tudo bem, pelo menos estou no lugar certo.

Então o Planet Hemp entrou no palco, depois de um grande atraso, que disseram que foi causado pelo péssimo estado de consciência do Marcelo D2. Mas tudo bem, eu também não tava ali pra controlar o horário de ninguém. E nem tava preocupado com relógio, porque naquele tempo, sabe, eu nunca tinha ressacas no dia seguinte. Realmente não. Eu podia passar a noite enxugando duas caixas de cerveja e desmaiar em cima da mesa do bar, mas pode ter certeza: as sete eu me levantava, limpava o vômito e ia trabalhar, como se nada tivesse acontecido. É, eu tava no pique, cara, eu tinha gás. E não era só de peido.

Mas o show correu legal, tinha muita gente conhecida por lá. Na verdade eu não sabia o nome de ninguém, mas conhecia muita gente. E, por alguma razão especial, muita gente também me conhecia. E aproveitando esse embalo, decidi em um determinado momento que era a MINHA hora de subir no palco e mostrar o que tinha ido ali fazer. Afinal, naquele tempo, além de beber, eu já dava alguns berros. Tipo, quando eu ficava tri loco eu berrava, transmitia alguns berros, nesse estilo de música berrada, sabe, enfim, eu largava uns berros afudê. Era o que eu fazia.

E fui pra cima do palco, impulsionado por uma matula de chapados fedorentos que, por sinal, eram meus grandes amigos no momento. Subi e dei três passos, mirei o microfone, que o D2 tinha deixado pra ir tomar uma bira, e fui. Quando eu tava quase lá, porra, já tinha tudo o que eu ia falar na cabeça, eu ia dizer: “E aí gurizada medonha, isso aqui é a festa do berro, então vamo berra, bando de filho-da-puta! Vamo queima esse beckão aqui do teto e vamo espalha essa marofa por toda a cidade e...”

E foi nesse instante que senti as minhas cuecas sendo puxadas pra cima, minha cacunda sendo esmigalhada e meu corpo sendo arremessado em direção ao povaréu. Foi um longo vôo, e a aterrissagem não foi nada agradável. Me machuquei mesmo. Mas, apesar da dor, ainda ouvi alguns elogios de uns amigos desconhecidos, o que me fez sentir que tudo que eu fiz, por mais idiota que possa parecer, valeu a pena. E o melhor dos depoimentos que eu ouvi sobre a cena, o que mais me marcou mesmo, foi àquela frase, que nunca vou esquecer: “Bá veio, o segurança te esmurrugou!”

: Quindim é festa
: Alegria pra essa gente
: Que não presta.

Assim escreveu Roberval Piriri, se lembrando de velhos causos da antiguidade. Isso enquanto ainda conseguir se lembrar. Porque, enfim, o alzheimer ataca muito mais em pessoas...como é mesmo o nome? Ih, isquici.


postado por quindim#neurótico 5:18 PM



{Quinta-feira, Outubro 16, 2008}


### O primeiro suicídio a gente jamais lembra...

Agora tô nessas de ficar doente. Primeiro foi uma gripe fenomenal, que me deixou malecho por quase duas semanas. E os sintomas eram aqueles de sempre: febre, ranho, tosse e surdez. Sim, isso mesmo, fiquei surdo, não escutava quase nada. Fui num médico e ele disse que podia ser sinusite. Putaquepariu, sinusite! E eu, que sempre achei que isso era doença de baitola, agora tive que rever meus critérios pra definir doença de baitola. Enfim, agora isso é uma coisa bem clara pra mim: sinusite NÃO é doença de baitola.

Bom, daí depois dessa gripe passei uns dois meses bem. Ou quase bem, ainda tava meio cabreiro com a história da sinusite. Mas então veio, de repente, uma puta dor de garganta. Assim, do nada. Fiquei com essa gargantite por mais umas duas semanas. E depois embalou uma dor no pescoço. Talvez porque ele fica perto, ou junto, da garganta. E a dor no pescoço fluiu pra cabeça, já que ela estava ligada a ele. E então, já que a garganta, o pescoço e a cabeça doíam, porque não haveria de doer um dente também? É até meio lógico.

Mas isso não acabou por aí. Uma otite se introduziu na história. E a conjuntivite veio na seqüência. A caspa surgiu do nada. Uma berruga apareceu no couro cabeludo. Aftas se alastraram pela boca. E um furúnculo, sabe furúnculo? Pois é, um furúnculo se apresentou em cima da sobrancelha direita. E olhando pro furúnculo, na frente do espelho, acabei ficando com ânsia de vômito. Enfim, tô fudido.

Tô desgraçado mesmo. Tô doente. E nem os remédios, nem a cachaça, nem o freon, nem o hash oil e nem mesmo o ócio estão dando conta do recado. Nada disso tá resolvendo o meu problema, que vai aumentando a cada dia. E o pior, mas o pior mesmo, o que mais tá se agravando com o passar do tempo, é essa mania que tenho de exagerar as coisas.

: Quindim é chato
: Incomoda feito doença
: E enche o saco.

Assim escreveu Roberval Piriri, vendo uma luz no fim do túnel. E torcendo pra que não seja o farol de um trem.


postado por quindim#neurótico 5:15 PM



{Quinta-feira, Outubro 09, 2008}


### Nada se cria, nada se perde, toda a merda se transforma...

Eu posso me definir em poucas palavras: sou um merda! Ou, explicando melhor, sou constituído de merda. E será fácil ilustrar esta condição, tendo em vista que expilo muita quantidade da matéria em questão, e várias vezes ao dia.

Quando chego pra trabalhar, as sete da manhã, sempre tenho que visitar o vaso sanitário. Todos os dias. É tipo um lance sagrado, sete e vinte e cinco eu tô lá, castigando a louça. E depois do almoço também, se alguém quiser me achar é só bater lá na porta da privada. A segunda, da esquerda pra direita.

E a coisa não é pouca, a merda se avoluma em mim. Tem vezes que chego a cagar dois ou até três tarugos. E fica ainda pior nas segundas-feiras, quando bate aquela limpeza intestinal dos excessos do findi. Toda aquela cerveja cria um ambiente terrivelmente fedorento por dentro de mim. Cagalhões de cerveja são os piores.

Tenho muita MERDA intrínseca. E perco muito tempo da minha vida na atividade de cagá-la. Esses dias, enquanto largava um tolete, fiz os cálculos: com uma média de duas barrigadas por dia, põe aí uns quinze minutos por cada, já dá meia hora por dia. Vezes trinta dias dá quinze horas. Num ano são mais de cento e cinquenta horas! Cagando!

E me vem essas minas do Carrefour oferecendo uma amostra grátis de Activia, explicando que ele melhora a saúde da flora intestinal, que é o único iogurte com o bacilo Dan Regularis, que ajuda a regular o intestino preguiçoso e parará. Porra, vou dizer o que pra uma pinta dessas? Talvez: “Ah, vai te cagar. Por que eu já fui!”

: Quindim é vaso
: Com tantas flores dentro
: Ele fica raso.

Assim escreveu Roberval Piriri, fazendo uma crítica construtiva sobre as táticas cagadas que o comércio usa pra vender seus produtos de merda.


postado por quindim#neurótico 5:22 PM



{Quinta-feira, Outubro 02, 2008}


### Com a minha fé, e as fezes de vocês, vou ganhar esta eleição...

Daí o cara me disse: “Eu não voto em porcalhão!” Eu retruquei: Tu tens toda a razão, meu rapaz. E é por isso que eu me candidatei, quero limpar a cidade desses impostores da política pública. Eu sou o escovão que vai assear as escadas que promoverão a ascensão do nosso belo município. Chega dessa sujeira deixada pelos parlapatões que infestam o bojo da nossa pátria-lar. Essa é uma promessa, limpeza é minha meta. Vote no Roberval, porque, afinal, candidato especial rima com “al”.

E o gurizão tentou argumentar: “Mas então como é que tu explica todos esses adesivos com a tua cara colados no meu carro?” E eu fui obrigado a responder: Isso é o início da minha plataforma. Enquanto eles estiverem aí grudados não estarão no chão, entendeu? Enquanto estiverem ali pendurados não estarão sujando as nossas ruas e calçadas. E isso funciona na base da troca. Tu me ajudas, e eu ajudo a todos, do fundo da minha alma. E não esqueça, vote no Roberval, porque, afinal, candidato especial rima com “al”.

Mas o xarope continuou me enchendo o saco: “Tudo bem, mas não precisava colocar tantos adesivos, um só já era suficiente. Tu não acha?” Daí eu tentei dar um cala-te-boca naquele purgante: Claro que seria. Um é suficiente, dois é bom, três é ótimo e muitos é excelente! Note bem, tu vais ajudar a ti mesmo. Eu, sendo eleito, farei o melhor por ti e pelos teus. Pelos teus e, por conseguinte, pelos meus, ou seja: pelos nossos. A nossa união nos fortalece, temos que forcejar juntos nessa batalha, para que possamos, em tempos breves, enaltecer uma vitória grandiosa, uma magnífica promoção do bem estar coletivo. E tu fica aí se queixando de alguns decalquezinhos? O que é isso, meu garoto! Pense mais a frente, amigo meu. Temos muito que caminhar. Andando, meditando e espalhando aquela frase, que deve ser dita sempre. Como é mesmo? Ah sim: E não esqueça, vote no Roberval, porque, afinal, candidato especial rima com “al”.

E aquele eleitor imbecil, assim como tantos outros, ainda teve que dar um último pitaco: “Mas é que eu acho que tu exagerou, porra! Pra que colar essa porras de fotos em todo o pára-brisa do meu carro? E ainda por cima colou essas bostas com super bonder! E agora? Como é que eu vou conseguir dirigir assim pra chegar em casa, eihn?” Pensei oito segundos e, depois de refletir muito bem durante esse tempo todo, respondi: Bom, tu já é um FUDIDO, o que custa se FUDER um pouco mais? Põe a cabeça pra fora e dirige assim mesmo. E se algum brigadiano te parar, aproveita o momento e espalha a nossa campanha: Vote no Roberval, porque, afinal, candidato especial rima com “al”.

: Quindim é normAL
: E o que é que rima com AL
: AL de ÁLcool e tAL.

Assim escreveu RobervAL Piriri, que neste domingo vai votar no Obama Bin Lamen. E na Lessie, também. No Vando e no Spectremem, tamem.


postado por quindim#neurótico 6:16 PM