quindins velhos


by noyz©

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{Quinta-feira, Agosto 28, 2008}


### Uma cozinha sem saca-rolhas é como um computador sem modem...

Bá, tá ligado que eu tô me cagando de medo por causa dessa lei seca. Não vou mais a butecos, quando vou a festas e crurrascadas não bebo, e se tomo uns kisuco a mais já não saio de casa. Essa coisa me pegou desprevenido, e acertou em cheio meu sistema nervoso. Tô estressado. E o pior é que se essa lei tivesse saído há alguns anos atrás não ia ter galho: ainda ia ter saúde suficiente pra poder encarar uma bicicleta e fazer a ronda dos bares.

Mas não é assim, meu velho. E eu, prevenido e cagado que estou, saí na frente.
Comprei um bafômetro no Mercado Livre. Ele é meio bagaceirinho, é tipo um chaveiro, tu dá umas baforada no equipamento e ele já te indica se tu pode dirigir ou continuar caído no chão.

O problema é que quando o aparelhinho chegou, numa sexta-feira, eu já tava tri meio desgovernado. Tinha começado tomando umas duas cervejas pra amainar a sede, depois engoli uns três ou quatro talagaços de conhaque pra passar o frio, e daí virei alguns copos de cachaça com tang de laranja pra relaxar um pouco, enquanto assistia ao programa do Datena.

E foi aí então que eu comecei a beber mesmo. Abri um garrafão de vinho e beberiquei com vontade. E então, quando tropecei por acaso no bafômetro, lembrei que poderia aproveitar a ocasião para testar o aparelhinho. Dei uma soprada bem dada no local indicado e, então, aconteceu: o trocinho meio que se tremeu, piscou umas luzinhas, disparou uma buzina e desligou. Putaquepariu, estraguei a porrinhola! E na primeira baforada. Esses produtinhos da china são foda.

: Quindim é bafo
: Nuvem verde e fedida
: Que faz estrago.

Assim escreveu Roberval Piriri, que cantou: Um jacaré mordeu o meu pé / Alguém perguntou: mas qual? / Não sei, jacaré é tudo igual.


postado por quindim#neurótico 7:41 PM



{Quinta-feira, Agosto 21, 2008}


### Os últimos serão desclassificados...

Quando eu era criança nunca quis ser ator. Nem modelo, claro. Gostava de jogar bola na rua, mas nunca quis ser jogador de futebol. Daí, depois, quando comecei a beber, nunca me imaginei dono de bar. E quando tomava uma girica na rua, nunca pensei em fazer concurso pra virar brigadiano. Ao tomar remédios para combater a desgraçada dor de cabeça corriqueira da ressaca, nunca pensei em aproveitar pra tomar alguns antidepressivos junto, só pra me sentir mais feliz por saber que ainda tenho uma cabeça.

E, apesar de nunca ter sonhado ser cantor, queria agora cantar uma música que um amigo me ensinou, o Durval, que era contraparente em terceiro grau do finado Dorival: “Eu vou pra Maracangalha eu vou / Eu vou de uniforme branco eu vou / Eu vou de chapéu de palha eu vou / Eu vou convidar Anália eu vou / Se Anália não quiser ir eu vou só / Eu vou só eu vou só”.

Eu também nunca desejei fazer um filme, ou praticar natação. Aliás, nem gosto muito de água. O que eu queria mesmo era poder anunciar: E o prêmio de medalha de ouro para o melhor filme vai para Mojica Phelps! É um curta metragem que tem o melhor ginasta e figurino de animação, com barras assimétricas e fotografia da linguagem técnica do ping pong argentino, que ensina como fazer filmes longas saltando em um gramado com a Leila Lopes. Mas ela perdeu a vara e não sabe onde enfiou.

: Quindim é garra
: Bebe desde o início
: Até o fim da farra.

Assim escreveu Roberval Piriri, que descobriu que, pelo júri popular, o Kikito foi eleito como um bicho com uma cabeça de palito de fósforo aceso.


postado por quindim#neurótico 6:18 PM



{Quinta-feira, Agosto 14, 2008}


### Se o cara for de táxi pode beber a vontade. Então, decidi: vou vender o meu carro e comprar um táxi...

Tenho uma teoria sobre os bebuns que fazem merda. O problema todo acontece quando o gambá perde o pincel. Aí ele quer brigar, correr, falar e, em alguns casos mais extremos, até abraçar outros gambás. E isso normalmente acontece quando a bebedeira ocorre em um lugar público, com gente conhecida ou não, como uma festa, ou em um bar, numa churrascada, durante o trabalho. É que nesses ambientes o consumo é mais acelerado, existe conversa, a boca fica seca, e por isso se bebe mais em menos tempo.

Também há os casos em que o bebunzinho é tri olho gordo, e quando bebe em companhia de outros da mesma espécie, acaba consumindo o máximo que puder antes que algum outro acabe com a garrafa primeiro. É como uma competição velada, ninguém declara estar competindo, mas todos sabem por que estão ali. E todos querem vencer.

Em suma, o lance é beber sozinho, trancado em casa, com calma, tomando seu traguinho numa boa, sem pressa, sem atucanação, sem adversários. Assim não dá nada, não se faz merda. Ou então, talvez, o lance seja continuar bebendo na rua mesmo, porque, enfim, também é trilegal. Sei lá, entende? É, realmente, só enrolei e não cheguei à conclusão nenhuma. Mais uma teoria furada. Mas isso é culpa da TV ligada, isso me tira a concentração e acabo fazendo merda.

: Quindim é gambá
: É peludo, fedido e cambaleia
: De cá pra lá.

Assim escreveu Roberval Piriri, cantando: Hoje é sexta-feira / Traz uma cerveja / Vou sair de carro / Fazer bafômetro / E ir pra cadeia.


postado por quindim#neurótico 6:44 PM



{Quinta-feira, Agosto 07, 2008}


### Minha ambição é sempre consumida pela preguiça...

Um dos motivos que demonstram que eu tô ficando velho, é a utilização de remédios nas moléstias do dia-a-dia. Só me lembro de ter tomado tantos remédios assim antes dos quatorze ou quinze anos, quando ainda recebia volumosas doses de antibióticos cada vez que minha mãe escutava um espirrinho qualquer que eu desse. Mesmo que nem fosse causado por um princípio de constipação, e sim por uma simples poeirinha acumulada no tapete.

Depois dessa época de adolescência, até perto dos trinta anos, eu aprendi a me defender da ingestão cavalar de medicamentos alheia a minha vontade. Acreditava que não necessitava daquilo tudo, e chegava até mesmo a formular teorias que desabonassem o uso dos medicamentos. Também confiava que toda doença que se apresentasse poderia ser facilmente combatida pelos meus anticorpos, tri fodões que eram. Durante essa época, não me lembro de ter tomado um só comprimido que seja. No máximo alguma olina, ou glicose, mas só quando eu tava bêbado, e sempre desconfiando da sua utilidade.

Mas agora são outros tempos. Se tenho uma dor de cabeça qualquer, tomo remédio. E gripe então, tô até aprendendo os nomes e a seqüência de utilização, conforme os sintomas. Por exemplo, quando os primeiros sinais da influenza começam, uso aqueles envelopinhos vermelhos, aqueles efervescentes, parecidos com sonrisal. Daí depois, se der febre, tem a dipirona. Em caso de tosse, tem vários xaropes. E praquela ranhetagem gosmenta do nariz, dá-lhe naldecon. Barbaridade, agora tomo remédio até quando tenho churrio.

: Quindim é dodói
: Ta tão desgracento que perdeu
: Cargo de herói.

Assim escreveu Roberval Piriri, que cura ressaca com chá de cevada. Bem gelado.


postado por quindim#neurótico 6:29 PM