quindins velhos


by noyz©

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{Quinta-feira, Junho 26, 2008}


### Se dinheiro fosse uma merda, ninguém ia esperar o troco...

2. Eu não tenho dinheiro. Mas não me preocupo com isso. Estou aqui pra te ensinar a viver o momento. Role o tempo, role o emprego, role o papel e deixe esse rolo bem pequeno, depois a gente chuta tudo pra longe e chama essa criatura, essa que berra e que urra, que diz que quer o melhor, e que tu é o pior, e então tu dá o troco e cospe ela no rio. A água vai levar ela embora, coisa boa que é a água.

Eu acordei e não tinha o que fazer, então rolei, tá ligado, ROLEI pela cama e me vi em um paradigma: cair ou voar? Meus pés doíam, era como se caminhasse em brasas, tinha dores na coluna, e hematomas no punho, e tinha no peito um chiado. Mas eu tinha que levantar, tinha que ir pro trabalho, força ai meu guri. Chapéu na cabeça, bota no pé, gaita na boca, engolia um mé.

Era assim que eu ia modificar tudo, sonho não resolve nada, eu tinha é que colocar as minhas patas pra fora dessas botinas. A unha do dedão eu nunca mais cortei, que é só pra que, quando chutasse um desses côrno que me chamam de vagabundo, machucasse bem a bunda.

Dedão de pé de chinelão em cú de trabalhador dói muito mais do que palavra, e do que dinheiro passando pelas ventas, e do que pensamentos fantasiosos. Fantasia só é bom em carnaval, e carnaval é uma baita mentira. Porque fantasia dura pouco. Peço anistia e quero rolar, sem ter mais, sem ais, sem is, sem s, quero rolar. E rolar é trimassa.

: Quindim é rolar
: Mato verde é pra pastar
: Fechar e fumar.

Assim escreveu Roberval Piriri, se inspirando e sugando a música Proud Mary, do Creedence Clearwater Revival. Apesar deles também terem sugado do John Fogerty, e do Elvis, o Presley, e do Ike, da Tina. Mas isso é uma orgulhosidade da Maria.


postado por quindim#neurótico 9:08 AM



{Quinta-feira, Junho 19, 2008}


### Os primeiros serão os últimos a reclamar...

1. Comprei um dojão. Tive que alterar a arquitetura da minha casa, em particular da garagem, pra que ele ficasse bem instalado. Já estava querendo ele a alguns meses, curtindo as suas rodas, namorando os seus frisos, pensando em seu motor. Eram oito cilindros e um coração cromado, que se deformava quando acelerava, e que roncava pedindo mais gasolina. Era isso que o carro queria, ele queria correr, e precisava de mim, alguém tinha que apertar naquele pedal do acelerador.

Coloquei minha garota dentro dele um dia. Ela não queria entrar, achava o carro muito velho, estranho. Mas foi só ela sentar no banco de couro que sua boca se calou. Sua testa franziu. Seus olhos brilharam. Alguma coisa estranha estava acontecendo, ela sabia, eu sabia, mas nenhum de nos dizia. A gente só sentia prazer do pavor, um frio na barriga, uma nauzea anormal.

Ela pediu pra que dessemos uma volta no carro. Disse que queria ir bem devagarinho, só pra curtir o vento quebrando no retrovisor. Era de noite, a cerração molhava o parabrisa, e eu ligava o limpador de vez em quando. Um barulinho bom, essa mistura de borracha girando no asfalto e no vidro. Cheiro umido, da rua, do carro, dela.

De repente ela pediu pra que eu acelerasse. Mais um pouco, ela disse, e pisou em cima do meu pé ditreito. O carro dançou na pista, cantando os pneus em um acorde dissonante, que acordou muita gente que morava naquela rua. Era uma fuga do nada, em busca do tudo, uma corrida hiperbólica, que terminou na curva.

: Quindim é Star
: Bebe muito mas guarda
: Pra não acabar.

Assim escreveu Roberval Piriri, se inspirando na música Highway Star, do Deep Purple. E começando uma nova série de escrituras: INSPIRASONS.


postado por quindim#neurótico 6:18 AM



{Sexta-feira, Junho 13, 2008}





postado por quindim#neurótico 6:39 PM



{Quinta-feira, Junho 12, 2008}


### Quem não deve, não deve...

XVII. O dinheiro que eu ganhei como adiantamento do seu DVD, gastei em um puteiro chamado A Nossa Caixa. Depositei tudo o que eu tinha lá. Mas eles pagavam bem menos do que esses zero virgula cinco por cento da poupança. Na verdade eu até ganhei algumas poupanças, mas liquidei tudo no ato. E o efeito no caixa foi imediato. E a falência também.

Mas ainda tinha me sobrado a Motorela, que apesar se não ser moto, e sim bicicleta com motor, me ajudou a voltar pra casa. Levei alguns meses pra conseguir chegar na minha casa, aquela em que eu vivia antes dessa história toda começar. É isso véio, decidi começar do zero de novo. E era zero mesmo.

Eu vivia no submundo. Tinha ratos como amigos, baratas como parceiras. União de raças, entende? Eu era o último cuspe daquele vinho chulé, aquele que vendiam no Gulis. Eu era verde, um pouco amarelado, tinha marrons pelo corpo, na verdade não tinha uma cor definida. Cheirava muito mal, mas eu não sentia porque, enfim, já não me sentia. Mas fedia muito. Era uma carcaça, a podre criatura que até os abutres desprezavam. Não tinha dinheiro, não escutava música, não via o sol, não tinha vergonha.

E é assim que vivo até hoje. Nunca mais comprei um bilhete da mega sena. É muito perigoso. Vai que eu dou um azar e ganho de novo.

: Quindim é sorte
: Quando acha que ganhou
: É puro trote.

Assim escreveu Roberval Piriri, acabando com esta merda bem no dia dos namorados, porque, enfim, acho até que é meio difícil de perceber, mas na verdade, essa é uma história de amor. Do meu ponto de vista, pelo menos.


postado por quindim#neurótico 10:34 AM



{Quinta-feira, Junho 05, 2008}


### Em terra de cego, quem tem um olio, porra, errei...

XVI. O que é isso, meu velho, porra, não sou matador. Quer dizer, bem, assim, pensando bem, algumas pessoas morreram por algum tipo de influência minha, mas isso não pode ser considerado como assassinato. Eu não decidi causar a morte de ninguém, entende, eles é que acabaram morrendo por minha causa.

A arma que eu ganhei do Seu DVD eu vendi praquele tiozinho que varria a rampa do planalto. O que ele fez com a arma eu até hoje não descobri, só sei que ele nunca mais voltou a trabalhar como varredor. Esses dias, vendo um filme do Van Dame, tive a impressão de ver o tiozinho fazendo um papel de gangster no filme. Mas ainda não sei se foi ilusão minha ou se o filho da puta tinha se dado bem em hollywood.

Com o crachá que me deram eu aproveitei par dar umas banda lá dentro dos corredores do planalto, e até dei um arrotão da cara da Dilma. Observei que tinha uns estudantes ali por perto filmando com celulares. Tomara que eles tenham gravado e colocado no youtube. Vou virar uma lenda, pelo menos por umas duas semanas.

E praquela foto daquele infeliz, olhei bem, olhei bem pra cara daquele condenado à morte e joguei fora. Eu é que não ia matar aquele bundão. Ainda se fosse uma bundona, daí eu até poderia matar. Mas só se fosse a bundona da Daryl Hanna, Daryl Hanna e sua bundona, lá em Beverly Hills.

: Quindim é roubo
: Leva só o que brilha
: Mas não é ouro.

Assim escreveu Roberval Piriri, um assassino profissional. Matador de prato feito e exterminador de cachaça Xininho, aquela que quando bate na cabeça faz blin-blon.


postado por quindim#neurótico 10:18 AM