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quindins velhos
by noyz©
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Quinta-feira, Junho 28, 2007
### Quindoval toca um instrumento musical. Toca disco...
Fodem-se todos! Minha cabeça explodiu, minha paciência se esgotou, meu esgoto entupiu, e o extrumento fede enquanto produz as notas musicais. Tá tudo errado, anarquia plena, queria mesmo é me chapar. Hoje e amanhã, amanhã e depois de ontem. E antes de hoje. Chapado estou, chapado fiquei, chapado estarei, e sei, porque não dizer, meio porcamente mas sei, conjugar este verbo.
Verbo de bosta. Bostar. Há um tempo eu me preocupava em como conseguir entrar em casa. A porra da fechadura não deixava se ferrar pela chave. Ficava ali, se contorcendo, impedindo a minha entrada, e essa era a minha mais cruel batalha do dia-a-dia. Agora não, tenho que me concentrar em pagar contas, em criar contas pagáveis, em comprar coisas que segam realmente necessárias, e pagar pela concentração que criei pela necessidade delas.
Queria ser de novo um bêbado que dormia nas paradas, que bebia sem pensar e caia, e às vezes, parava sem dormir. Não, não queria, na verdade só queria a parte boa disso, a parte das conversas bêbadas, das discussões divagantes em busca da plena satisfação, queria as caminhadas a procura do melhor lugar pra ficar e se achar, queria achar o melhor bar e achar a melhor cadeira, aquela que estivesse do lado da melhor mesa. Aquela cheia de garrafas.
Queria poder querer e ter. Queria ter o que eu quero. Todo mundo quer alguma coisa. Todo mundo quer o que quer, vai dizer, quem não quer? Mas hoje eu cortei o cabelo. E tô me sentindo estranho. Queria não ter que fazer isso. Mas tudo bem, corto o cabelo, tudo bem. Mas a barba, ah não, a barba eu não corto de jeito nenhum. Fodem-se!
: Quindim é beato
: Bebe todo o vinho do padre
: Fica chapado.
Assim escreveu Roberval Piriri, com quatro centímetro a menos de cabelo. Isso tudo é uma preparação pra voltar ao trabalho, na semana que vem. É, o fim do mundo está próximo.
postado por quindim#neurótico 9:50 AM
Quinta-feira, Junho 21, 2007
### O cara precisa do barulho pra entender o silêncio...
O menino, maravilhado, não se conteve com aquelas imagens e, sorrindo, explodia em contentamento a cada novidade. Um peixinho azul, três outros dourados, os cavalos-marinhos e, claro, a arraia, que era o que mais o agradava. Mas foi quando ele viu o filhote de tubarão que prendeu a respiração, tamanha era a sua surpresa.
E ainda existiam as algas, que formavam lindos desenhos na água. E boiando, logo acima na superfície, bem porto dos aguapés, as imponentes vitórias-régias abrigavam o vasto pulular de sapos e pererecas, das mais variadas cores e tamanhos.
O menino nunca poderia imaginar que houvesse um lugar assim, com tantas espécies reunidas, e todas prontas para serem admiradas. O pai, parecendo um pouco irritado com aquela alegria toda do menino, pedia para que ele ficasse quieto. E ele, por respeito, se aquietava por alguns instantes. Mas logo em seguida, a cada nova descoberta, enchia de aplausos e elogios aquele esplendoroso habitat.
O pai agüentou o que podia daquela chateação, mas quando encheu o saco do piá, mandou que ele fosse embora: ¿Guri de merda, tá me atrapalhando! Vai lá com a tua mãe! E me deixa acabar de limpar essa merda de caixa d`água!¿
: Quindim é fone
: Pequeno, mas com potência
: De um trombone.
Assim escreveu Roberval Piriri, um pouco bêbado, com um pouco de sono e um pouco mais calmo.
postado por quindim#neurótico 11:45 AM
Sexta-feira, Junho 15, 2007
### Tá nervoso? Vá beber, e não me enche mais o saco...
Eu tava me sentindo nervoso. Estresse do dia-a-dia, e tal. Por esse motivo, fui pescar. Arrumei linha, anzol, vara, um isopor cheio de cerveja e me fui pra Praia das Éguas. Primeiro erro: dos itens que levei, um não era tão essencial, e teve que ser trocado por isca, que é muito mais essencial. E lá se foi embora a minha vara de pescar importada da Coréia, toda desmontável e sem nenhum uso, trocada por um pote de minhocas com um guri, que também tava pescando por ali.
Pois bem, como também não tinha levado protetor solar, me ladeei pra baixo de uma árvore e me espichei na sombra, sem esquecer de puxar o isopor pra perto. Lancei na água a minhoca empalada no anzol e pensei: agora sim, começou o meu descanso, tô pescando. Mas não se passaram nem trinta segundos e a minha linha deu uma fisgada. Merda, pensei: porque esses peixes não me dão um tempo pra relaxar?
Puxo o anzol e constato: sem isca e, claro, sem peixe. Fui procurar o pote das minhocas e vejo que elas estavam tentando fugir, algumas conseguiram escapar, mas outras não tiveram a mesma sorte e voltaram para a prisão. Elas não sabiam com quem estavam lidando.
E assim se passou a tarde inteira: cerveja no isopor, minhoca no anzol, cerveja na mão, anzol na água, cerveja na goela, fisgada na linha, mais um golão, puxo a linha, puxo mais uma cerveja, nenhum peixe no anzol, e acaba mais uma lata. A tarde inteira assim, um cíclico trabalho duro, e não há como alguém descansar dessa maneira.
Então achei melhor recolher as tralhas e ir tomar umas cevas em um lugar mais tranqüilo. E como já fazia um tempinho que eu tava de olho em um bar que havia ali na beira da Praia das Éguas, foi pra lá que eu fui. Na minha segunda ceva, vejo aquele guri, o do pote de minhocas, passando na frente do bar. Estava carregando a minha ex-vara de pescar no ombro e um balde cheio de peixes na mão, e ria com a sua conquista. Mas nem fiquei nervoso com aquela ironia besta, afinal, pensando bem, não ia ter muita paciência pra limpar todos aqueles peixes.
: Quindim é senhor
: Um velho bagunceiro
: E alienador.
Assim escreveu Roberval Piriri, cantando aquela musiqueta pra se acalmar: foi de manhã / eu acordei / bebi minha ceva / e fui viver / caprichei no banho / penteei o cabelo / e essas coisas / não fazia a tempo.
postado por quindim#neurótico 6:19 PM
Sexta-feira, Junho 08, 2007
### EM OBRAS ou TEM SOBRAS...
É junho, e eu estou de férias. Quem lê isso acha que é tudo uma maravilha, o dia inteiro sem nada pra fazer, só curtindo as bebidinhas, comidinhas, dormidinhas, fornicadinhas, musiquinhas e todas essas coisas que ficam bem melhor quando são inhas, e não apresentam aquela pressão de tempo para iniciar, aproveitar e finalizar.
Mas não. Eu sou muito burro pra simplesmente tirar férias e realmente valer-se do momento. Não. Eu tiro férias e arrumo problemas pra resolver. Burro pracaraio, inventei de fazer umas obras aqui na casa, só pra ir adiantando as benfeitorias já começadas há uns sete anos atrás, e que pelos meus cálculos, vão durar, pelo menos, mais sete. E esses próximos sete anos, entenda-se: próximos sete períodos de férias.
Agora, no meu período anual de descanso, tenho barulho de pedreiros o dia inteiro em cima do meu teto, tenho sujeira de cimento e cacos de tijolo, tenho pessoas pedindo pra comprar material, tenho pessoas pedindo seu dinheiro devido pelo trabalho, tenho caminhões fazendo barulho e trancando minha porta pra descarregar material, tenho discussões sobre o melhor tipo de viga, o melhor oitão, o melhor arame recozido, a melhor madeira, o melhor cimento e a melhor maneira de tornar esse material melhor em um material um pouco mais barato.
Paz, é só o que eu peço. Sou um cara nervoso, acho até que preciso de remédios calmantes para não ter problemas de saúde no futuro. Eu tô nervoso. Só o que eu queria agora era me acalmar, queria que essas férias acabassem logo pra que eu pudesse volta para o sossego do meu emprego. Ou melhor, para o sossego do meu empreguinho.
: Quindim é torto
: Quando quer se endireitar
: Fica tonto.
Assim escreveu Roberval Piriri, digitando com as mãos tremulas e as veias da testa saltadas. E todo sujo de cimento.
postado por quindim#neurótico 4:28 PM
Sábado, Junho 02, 2007
### Quindim é redondo, tipo uma hóstia pagã...
Lista é uma relação de nomes ou coisas. Listra é uma faixa de cor ou textura diferente.
São palavras parecidas, cognatos que nem tem o mesmo semantema. É aquele lance de palavras parônimas, palavras que ficam se fazendo de parecidas mas que não tem nada a ver, nem com o cú, e nem com as calças.
Já que mencionei em primeiro lugar a palavra lista, poderia eu aqui fazer, agora, listas das mais variadas. De coisas trimassa à coisas bestas. Listas de compras, listas de medicamentos que faltam no SUS, listas de pessoas que não vão aos churrascos da gurizada, listas de corruptos que são eleitos de tanto em tanto tempo, listas de Schindler, listas de cores, ah não, listas de cores não. Isso seria uma listra de cores.
E já que mencionei em listra de cores, poderia eu aqui fazer, agora, listras das mais variadas. Das mais escuras às mais claras. Listras de cinzas de cigarro nos cinzeiros dos puteiros, listras de pozinhos brancos espalhados em espelhos ordinários, listras nas camisas dos presidiários dos desenhos animados, listras de vômitos criadas por gambás com tendências arquitetônicas, listras nos paletós do poderoso chefão, ah não, isso são riscas de giz. E isso é assunto para um outro assunto.
Lista é isso:
CERVEJA
VINHO
CACHAÇA
VERMUTE
CAIPIRINHA
Listra é isso:
CCCCCC
VVVVV
CCCCCCC
VVVVVVV
CCCCCCCCCC
Nomais, sem mais. É que eu queria deixar isso bem claro. Não que resolva muita coisa, mas é que, bem, sei lá, precisava desabafar.
: Quindim é risco
: Assunto totalmente fraco
: Cocô de marisco.
Assim escreveu Roberval Piriri, crendo que todas aquelas impurezas que foram ingeridas na década passada já foram expelidas pelo organismo. É hora de começar a ingeri-las novamente.
postado por quindim#neurótico 9:02 PM
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