quindins velhos


by noyz©

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{Sexta-feira, Maio 25, 2007}


### Esqueci que não ia escrever nada esta semana...

Sabe quando tu tem uma grande idéia? Sabe, aquela nova coisa que vai revolucionar o mundo? Uma invenção que poderia encher a vida de prazeres, ou que criaria um mecanismo para transformar aquele déficit abismal em superávit colossal, tudo isso e muito mais, e tudo ao teu favor? Eu tive esse sonho, eu tive essa opção, eu sabia como jogar com os meus naipes, mas de repente, não mais que de repente, adivinha: Esqueci.

Sabe, assim mesmo, simples assim, Esqueci. Meu admirável mundo novo sumiu. Mais rápido que um espirro, mais rápido que um peido, mais rápido que o super homem, o Esquecimento avançou e destruiu todas as minhas chances. Agora quero esquecer que o Esquecimento me lembrou.

Bá, lembrei dum lance, mas é outro esquema: eu não gosto de cachorrinhos, nem de porquinhos da índia, muito menos de gatinhos. Não gosto de animais, nem de baratas ou sanguessugas. Só gosto de boi, de preferência da costela do boi. É que costela de boi é trimassa, dá pra comer sem usar talheres, se atracando naqueles ossos da costela do boi. Portanto, era isso, costela de boi pra todo mundo.

: Quindim é limpo
: Lava e passa as letras
: Ficam com vinco.

Assim escreveu Roberval Piriri, incentivando todos a colaborar com a campanha contra o mosquito da Dengue: Não deixe garrafas vazias no pátio. Leve-as ao bar mais próximo e troque por garrafas cheias.


postado por quindim#neurótico 5:31 PM



{Quinta-feira, Maio 17, 2007}


### Às vezes eu não penso antes de falar. Em outras, falo sem pensar...

Daí o Lourival chegou na mesa do chefe e falou: ¿Hei, tenho que falar contigo!¿. O patrão, que tava falando no telefone, fez um gesto com a mão para que ele se sentasse numa cadeira e esperasse. Lourival chutou a cadeira para longe e fez um gesto para que ele desligasse o aparelho. Meio espantado, o cidadão se despediu secamente no telefone e ficou olhando pro furibundo: ¿Mas o que foi que aconteceu?¿. E Lourival explicou, meio que se cuspindo todo: ¿Cala a boca, que agora sou eu que vou falar. Tá vendo o meu sapato? Olha aqui, ó, olha o meu sapato! Ele tá perdendo a sola. E eu não tenho dinheiro pra comprar outro. Por isso, quero um aumento, e também um adiantamento do salário. E quero agora, porra!¿

Lourival saiu da empresa e foi direto pro shopping comprar seu sapato. Ele, com dinheiro na mão, se sentia uma outra pessoa, mais bonito, mais altivo. Sabia que esse dinheiro da rescisão não ia durar muito, mas ele precisava comprar um calçado novo. Além do mais, ainda ia ganhar umas rebarbas do seguro desemprego por mais alguns meses.

Ficou olhando os preços das vitrines e se espantou um pouco com os valores. Com o que tinha acabado de receber podia fazer duas coisas: a primeira opção era comprar um tênis meia boca, e a segunda era pagar o aluguel do mês e beber o resto que sobrasse.

Depois de pensar nas possibilidades, resolveu gastar o dinheiro comprando um chinelo e bebendo o resto. Afinal, o aluguel dá pra empurrar com a barriga, o chinelo é necessário para um desempregado, e o trago, bom, desce macio e reanima.

: Quindim é renda
: Tinha que pagar as contas
: Mas só tenta.

Assim escreveu Roberval Piriri, pesquisando novos nomes para a falecida Surriada. Talvez
Bocejo de Cavalo, ou então Pro Labore. Aceitamos colaborações, desde que sejam bem desgraçadas.


postado por quindim#neurótico 7:32 PM



{Quinta-feira, Maio 10, 2007}


### Olha, tirando bosta e escargot, eu como...

Bá, eu tomo um trago, tá ligado. Eu bebo bem, tipo assim, bebo trimassa. Mas não me considero um grande bebedor. Pra mim, um grande bebedor é aquele que, desde o primeiro copo até o último gole, não se importa com o preço, qualidade ou quantidade do que bebe. Pra mim, um grande bebedor é aquele que simplesmente bebe.

Eu não. Enquanto bebo, fico preocupado com o preço das cevas. Compro Colônia, que é a mais barata. Ás vezes Kaiser. Dizem que essas marcas dão dor de cabeça, são ruins, dão ressaca e tal, mas eu não sinto nada disso. Ressaca eu tenho quando acordo no outro dia e percebo que gastei até a última moedinha da carteira naquelas rodadas de Brahma Extra.

E o vinho então? Esses dias fiquei três dias defecando uns cagalhões muito pretos e fedorentos. Quem olhasse a cor da coisa diria que eu comi terra e caguei húmus. E se alguém cheirasse aquilo não conseguiria dizer nada. E sabe porque eu comprei esse vinho? Porque era um garrafão de quase cinco litros ao preço de oito reais. Mais vinho por menos dinheiro, entende?

Acho que o meu problema, esse de não ser um grande bebedor, vem do fato de eu ter origens mais européias do que americanas na minha árvore genealógica. É tipo aquela teoria, de que o índio (neste caso, um ser americano do ano de 1500) pescava um peixe para comê-lo hoje, e o português (também um ser de 1500, onde isso tudo começou a entrar pra história) pescava dez, para comer a semana toda e ainda sobrar. É isso, a minha conclusão é essa, tudo se resume nisso: eu não sou um grande bebedor por não pensar como um índio.

: Quindim é sexta
: Enche a cara e fica
: Bebum até terça.

Assim escreveu Roberval Piriri, bebendo o restinho que sobrou daquele vinho desgraçado. Afinal de contas, não é porque ele é ruim que eu vou jogar fora. Isso seria um crime.


postado por quindim#neurótico 8:34 PM



{Quinta-feira, Maio 03, 2007}


### Superintendente é aquele cara que intende de tudo...

Eu não queimo dinheiro. E não jogo dinheiro pela janela. Afinal, já que é tão difícil de ganhá-lo, gasto-o sim, mas com a devida moderação. Na verdade, nem nomeio essas transferências monetárias que pratico com uma palavra tão simples, como gastar. O que eu faço, na verdade, são investimentos.

Um exemplo: se, por acaso, aquele teu chinelo preferido arrebenta uma tira, o que tu faz? Joga no lixo e compra outro, certo? Errado! Em vez de gastar essa grana comprando outro chinelo, um chinelo estranho, duro, sem nenhuma ligação afetiva, e até por que não dizer física contigo, eu investiria esses pilas em umas dez ou doze cervejinhas. E enquanto as vou bebericando, aproveito a animação pra costurar e arrumar aquelas tiras fodidas, afinal, ele é o meu chinelo preferido, e pode muito bem durar mais alguns meses. Ou mesmo dias.

Outro exemplo: pra que gastar com roupas de inverno novas? Tudo bem, o inverno se aproxima, vem o frio, mas pra que fazer este gasto desnecessário? O que tu fez com os casacos que usou nos anos anteriores? Eles estão todos lá, todos disponíveis, com seus furos de cigarro, manchas de vinho e histórias pra contar. Cara, se tu investisse esse dinheiro em carne, poderia fazer churrascos todos os fins-de-semana, durante todo o inverno. E se alguém aí vier reclamar do mau cheiro das roupas velhas guardadas, porra, depois do primeiro churrasco elas já adquirem aquele precioso aroma de graxa com sal grosso.

No final das contas, lá fico eu, com meu chinelo preferido, tomando umas cevas, me esquentando do frio na churrasqueira e comendo umas costelinhas assadas. Agora, realmente, admitam, sou um investidor de sucesso.

: Quindim é tapir
: Se atrapalha com dinheiro
: Não sabe investir.

Assim escreveu Roberval Piriri, planejando melhor seus investimentos futuros. Em vez de cerveja, vinho.


postado por quindim#neurótico 8:23 PM