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quindins velhos
by noyz©
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Quarta-feira, Abril 25, 2007
### Afinal, o mundo é uma coisa meio ampla...
O tempo é foda. Eu morro aos poucos, a cada dia que passa. Eu morro devagar, mas torcendo para que isso aconteça rápido.
Sempre acordo segunda-feira querendo que o dia acabe logo. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta. Todos esses dias eu trabalho meu cérebro para que o tempo passe mais rápido, sempre querendo acabar logo com o dia. Com a semana, com o mês, com o ano.
Sábados e domingos são diferentes, pois nem percebo que passam. Os fins-de-semana acabam meio que sem querer. Afinal, quando começo a ficar sóbrio, me dou conta que já é segunda.
E aí recomeça tudo de novo, o maldito tempo, assim como a minha torcida pelo seu fim, e por conseguinte, pelo meu fim. Quando torço para que o tempo passe rápido, estou também sabotando a minha vida.
É como se alguém, que depois de 70 anos de vida, olhasse pra trás e compreendesse que apressou 50 anos, e os outros 20 nem notou que passaram.
Ah, vida de merda, com sua matemática estúpida de somatórios desanimantes. Tem vezes que esqueço a lógica da vida, outras que lembro que não a entendo. O tempo que me falta agora enquanto escrevo este troço, vai me sobrar amanhã, enquanto estou no trabalho.
E amanhã ainda vou ter que agüentar aquele meu colega de merda, mostrando e falando sobre todas as funções do seu relógio de pulso novo. Enfia no cú.
: Quindim é vaca
: Quando vai pro brejo
: Se sente em casa.
Assim escreveu Roberval Piriri, aquele que sempre sentiu inveja do Tchaca, aquele do Elo Perdido.
postado por quindim#neurótico 8:01 PM
Quinta-feira, Abril 19, 2007
Correria
Página 269 da lista telefônica. Contabilidade, cooperativas, rasguei a folha cortei na metade e limpei meu rabo. Quando isso acontece, geralmente aqui em casa, pode indicar duas coisas: uma: ninguém se dignou a atravessar a rua entrar no buteco e comparar quatro rolos de papel higiênico pelo preço de cinco; outra: estamos sem dinheiro algum e todos os rolos já se foram á merda. É claro, nada está tão ruim que não possa piorar, eu poderia estar em um banheiro público, os joelhos tremendo sobrecarregados com o peso do meu corpo, o olhar fremente a desdenhar pelos rabisvcados caralhos e telefones de comedores de cú. Suportando o medo de encostar a bunda no vaso fedorento e surrado de bosta. Bem, aí a questão acaba se resumindo em outras duas novamente: pode-se adotar uma conduta bastante ecológica, usando os dois lados do papel que já está disposto na pequena lixeira, ou sair com de cú melado. O problema neste caso, é que a merda tende a se espalhar manchando a cueca toda. Isso significa, manchar a própria honra, já que não sou eu quem as lava, e logo todos saberiam que percorri caminhos tendo aquela sensação de andar sentido resvalar as nádegas. È a vida, um dia vai, no outro se finca.
postado por quindim#neurótico 10:09 PM
Quarta-feira, Abril 18, 2007
### Mais feio que mula comendo urtiga...
Foi na hora do intervalo para o café da tarde. Parei de trabalhar e encaixei a cabeça cansada no meio dos braços, pousados sobre a minha mesa. Acabei dormindo, e sonhando com umas coisas estranhas. No sonho eu tava na fila de um bufe, em um restaurante meia boca, e quando chegou a minha hora de servir eu dizia: ¿Pode por duas colheres de arroz. Feijão não. Não, peraí, pode botar sim. Mais um pouquinho, isso. A massa também vou querer, aqui, o molho põe por cima. Isso, só na massa. Esse bolinho é de que? Tá, pode botar, isso, mais um. Aquele outro também, ok. Essa carne é de quê? Então pega esses dois aqui ó. E aquele ali é de porco? Vê dois também. E uma lingüicinha dessas, e do lado pode por essas coxinhas. Aquilo ali é pirê? Isso, isso, pUrê, coloca aqui, não, aqui em cima, vai com cuidado que dá. Calma, tá derrubando tudo. Não, salada não precisa. Não, eu não quero alface, peraí, pode tirar, tira esses tomates daqui, não cenoura eu não quero, pára, brócolis não, pára, chega, já disse que não, tira esse repolho do meu prato, tá derrubando tudo, não, vagem não, por favor, não, não, não!¿. Daí, bem nessa hora, me dei conta de onde estava.
Era a hora do café, café da tarde, que hora mais feliz! Abro a gaveta e puxo o lanche, um xis bacon e uma garrafa térmica de café. A gordura que escore do xis suja um pouco a mesa, e é por isso que eu tenho que comê-lo bem rápido. Em três mordidas se vai metade do tijolo de bacon, e com mais duas empurradas já não existe mais nada pra contar história. Só fica a lembrança, a pequena poça de óleo na mesa e mais alguns pingos na camisa. Agora é hora de encarar o liquido. O primeiro copo de café foi entornado no guti-guti. O segundo copo foi mais lento, acabou em três empinadas. E ainda enchi um terceiro copo, pra ser bebericado aos poucos, durante a degustação da sobremesa. Tirei de uma sacola plástica um pote, desses de sorvete, com uma boa quantidade de ambrosia com calda de creme. Com a colher remexi bem o doce, antes de trabalhar como se fosse uma escavadeira.
Mas, de repente, alguma coisa mudou. Senti um forte tapa na cabeça e tudo sumiu. Também ouvi uma voz conhecida, era um daqueles olho-do-cú que trabalham comigo: ¿A hora do café acabou, mané!¿. No fim, dormi o intervalo inteiro. Nem pude comer aquelas minhas três bolachinhas água e sal com aquele copo de água do bebedor. Merda.
: Quindim é massa
: Com molho de ervas e cozido
: Na cachaça.
Assim escreveu Roberval Piriri, um faminto de comida, um sedento de trago. Mas isso tudo vai mudar sexta, na churrascada na casa do Tchuck.
postado por quindim#neurótico 7:00 PM
Quinta-feira, Abril 12, 2007
### Idéias são como vermes que habitam as tripas do cérebro...
Cena 1:
Apontei com o dedo para o fogo, me desejando sorte. Em seguida derrubei o balde cheio de água em cima das chamas. A fumaça invadiu o lugar, e meus pulmões não gostaram muito. A tosse incomodava, e devia ter sido evitada. Tossi, mas acabei com aquela fogueira. Mas a minha sorte foi até ai, quando então escorreguei no chão molhado e caí nas brasas fumegantes e ainda quentes. E o fogo reacendeu, usando meu cabelo e roupas como combustível. Tinha sorte essa fogueira, ganhou dessa vez.
Possível cena 2:
Apontei com o dedo para o fogo, me desejando sorte. Em seguida derrubei o balde no fogo. Balde errado, imbecil. Sem me dar conta, troquei o líquido água por líquido álcool, que por acaso estava bebendo naquela hora. Um balde cheio de cachaça. Dessa vez me queimei bem mais rápido, com uma explosão de fogo líquido sobre o meu corpo, queimando minha pele antes mesmo do cabelo e roupas.
Impossível cena 3:
Apontei com o dedo para o fogo, me desejando sorte. Em seguida derrubei o balde de ar. Balde vazio, ou cheio de nada, ou transbordando vento, entende. Não influiu nem contribuiu. Tudo na mesma, mais uma vez foi sorte do fogo. Mas dessa vez eu também tive sorte na minha tentativa de ter sorte. Tô pra te dizer que o lance é não bulir com a natureza. Tá ligado?
: Quindim é fogo
: Aproveita esse braseiro
: E frita um ovo.
Assim escreveu Roberval Piriri, que nunca entendeu o porquê disso tudo. SERÁ QUE ALGUÉM SABE ME DIZER? Duvido, isso não tem explicação.
postado por quindim#neurótico 6:35 PM
Segunda-feira, Abril 09, 2007
MISTURANTES TOCA NO CAÍBE PUB
Além de sons próprios a banda faz releituras de clássicos
do rock como: Pink Floyd, Deep Purple, Guns'n'Roses e Mutantes.
Dia 14 de Abril às 23:00h
Ingressos: R$ 5,00
Caíbe Pub
Av. Dorival Cândido Luz de Olibeira,
parada 79 - Centro de Gravataí
Informações acesse: http://www.misturantes.com
postado por quindim#neurótico 4:30 PM
Sábado, Abril 07, 2007
Não Existe Início Nem Fim da Civilização
É minha convicção que aquilo a que decidimos chamar civilização não começou em nenhum desses pontos do tempo que os nossos eruditos, com o seu saber e inteligência limitados, fixam como origens. Não vejo início nem fim em lugar nenhum. Vejo a vida e a morte, avançando lado a lado, como gémeos unidos pela cintura. Vejo que em todos os estados de evolução ou de involução, independentemente da paz ou da guerra, da ignorância ou da cultura, da idolatria ou da espiritualidade, há apenas e sempre a luta do indivíduo, o seu triunfo ou derrota, a sua emancipação ou servidão, a sua libertação ou extermínio. Essa luta, de natureza cósmica, desafia toda a análise, quer científica, quer metafísica, religiosa ou histórica.
Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"
postado por quindim#neurótico 9:52 PM
Quinta-feira, Abril 05, 2007
### Sou do tempo em que o Laçador fazia ponto na esquina da Ceará...
Eu era um viciado. Eu estava perturbado, bebia, tinha espíritos imundos que me cercavam. Eu evocava o diabo. Via vultos e conversava com eles, com o exu caveira eu falava todos os dias.
Chegava todo dia em casa e me trancava no quarto. Sentia um vazio por dentro e me enchia de droga. Não comia, não tomava banho, não trabalhava. Gastava todo meu dinheiro na droga, roubava coisas em casa pra vender. Cheguei a roubar uma bicicleta de um piá, na ânsia de comprar mais maldição pra minha vida.
Uma vez peguei um pedaço de pau e enchi de pregos e enrolei com arame farpado. Saí pra rua pra matar o vizinho. Ele tinha me chamado de vagabundo, e eu vi tudo escuro e uma voz dizia pra acabar com a vida dele. Outras pessoas me seguraram e acabei sendo preso. E mordi o braço do brigadiano.
Eu tava acabado. Era uma vida desgraçada. Eu tinha encosto. Tentei me matar. Acho que era uma maldição hereditária, isso era coisa dos meus antepassados. Era meu carma. Eu vivia dos restos dos outros. O dinheiro entrava por uma mão e saía pela outra. Eu não tinha perspectiva de vida.
Já estava no fundo do poço. E cavava mais pra baixo, sem olhar pra cima. O demônio me chamava para as trevas. Ele queria minha alma, me puxava feito um imã. Eu não tinha forças e me entregava ao tóxico.
Mas agora isso tudo mudou. Com todo esse meu currículo descrito acima, a TV Guaíba acabou me contratando. Agora sou funcionário da Igreja Universal. Devo aparecer em um ou outro programa, fazendo uma ponta aqui, outra ali. Agora tenho uma missão: ganhar dinheiro com a minha desgraça. Tô tri feliz, mas não posso demonstrar, se não eu perco o emprego.
: Quindim é falso
: Esconde todas as vaias
: No aplauso.
Assim escreveu Roberval Piriri, que é mais falso que nota de três reais. Mas, mesmo assim, vale alguma coisa.
postado por quindim#neurótico 9:59 PM
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