quindins velhos


by noyz©

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{Sexta-feira, Março 31, 2006}


### Frescura é papel higiênico perfumado...

E eu lá, parado na porta do banheiro, esperando a minha vez. O cheiro de merda podre transpassava pelas frestas da porta. Também transpassava um gemido, um gemido baixinho, quase surdo. Passado algum tempo, um aumento no volume do gemido, algo em torno de 90 decibéis, quase um relincho. Um pouco depois, uma seqüência de grunhidos de médio porte, e então, um urro, daqueles de porco quando é carneado. E por fim um choro estridente, lamentos, rezas de carpideiras em enterro.
Foram minutos de desespero, onde a repugnância não se conteve em atacar o meu olfato e avançou contra a minha audição. E culminou com a minha visão. Ah, a visão. A porta se abriu e vi um serzinho saindo lá de dentro, caminhando de revesgueio, meio de lado, cabisbaixo, camisa desabotoada e um pingo rolando pelo queixo, que não pude identificar se era suor ou uma lágrima.
Eu não sabia o que fazer diante dessa situação, então, apenas disse ao coitado: ¿tenha um bom dia.¿

: Quindim é pasta
: Um creme bem cheiroso
: Bosta de vaca.

Assim escreveu Roberval Piriri, desejando um bom final de semana a todos os cagalhões desse mundo.


postado por quindim#neurótico 9:10 PM



{Terça-feira, Março 28, 2006}


INDECISÃO

Parado em frente a sua casa, fico pensando se você vai gostar da surpresa.
Claro que não vou te dizer assim logo de cara. Vou abrir o portão enferrujado, com certo esforço, e reparar que está cada vez mais difícil de entrar na sua casa. As britas espalhadas pelo pátio anunciarão minha chegada clandestina. Ouvirei latidos e só depois avistarei um cachorro magrelo, virá abanando rabo comprido lá dos fundos da casa, caninos amostra - quem sabe - feliz por me ver de novo. Você aparecerá depois ficará paralisado embaixo da sua parreira de uvas me olhado desconfiado e não dirá nada enquanto eu não estiver perto o suficiente. Vou chegando trago um sorriso e uma sacola. Vou percebê-lo julgando minha pança, minha barba, minha sujeira. Perguntará o que eu trago de bom. Desconversarei, vou sugerir uma cerveja antes. Sem álcool eu sei, parou de beber. Eu vou aceitar assim mesmo. Vou te contar uma coisa muito louca que aconteceu, mas antes vamos esfriar a cabeça, o dia teria sido quente. Me convidará para entrar e observando o matagal que estará tomando conta dos fundo não direi nada, subirei os três degraus da escada que antecede a porta, enfim estarei na nostálgica cozinha. Entretanto, meu repentino silêncio levantará terríveis suspeitas sobre minha vinda. Ficarei calado e indeciso, ou inventarei alguma história para justificar o conteúdo da sacola. Você estará me estenderá a cerveja quieto também, beberemos. Gostaria de poder contar toda a verdade mas sei que não ficaria ao meu lado. Direi apenas que fique tranqüilo, que fique bem, eu estou indo embora pra outro lugar. Colocarei a sacola em cima do fogão. Você observará sem tocá-la. Você nunca pisa em falso, nunca se arrisca, não me pergunta nada. Direi que é seu. É o seu troco. Ainda desconfiado, vai espiar dentro da sacola antes de meter a mão. Depois vai abrir cuidadoso embrulho feito com folhas de jornal amareladas, até se deparar com muitas notinhas de cem pila. Vai pegar uma delas e erguê-la contra a luz. Vai murmurar de uma forma muito característica: estão bem novinhas, hein? Beberemos cerveja sem álcool, amarga, gelada, ruim. Finalmente você me perguntará do velho jeito, que merda eu andei fazendo? De saiu esse dinheiro? Se estou pensando em me esconder nesta casa posso tirar-meu-cavalinho-da-chuva. Então eu arriscaria com sinceras esperanças de te convencer: achei teu dinheiro, quis te fazer uma surpresa, só isso. Mas você começará a repetir as mesmas perguntas de sempre. Do jeito que não suportarei mais. Estarei cansado. Nossas tentativas de amizade, pai e filho se entendo, finalmente, um dia, sem dificuldade expressarem o que sentem um pelo outro, aceitando-se mutuamente, independente do quê. Repousarei a lata de cerveja pela metade em cima da geladeira, e o deixarei falando para suas paredes, para o seu cão, para mim que já estou indo embora pelo mesmo portão, que de fato nem abri ainda.

vander

postado por quindim#neurótico 11:39 PM



{Segunda-feira, Março 27, 2006}


### É um baita de um toco de merda mal cagado...

Carimbo e chuva. Carimbo é que nem chuva. Carimba, carimba, carimba, eu fecho os olhos e escuto a batida do carimbo no papel, poc, poc, poc, e imagino pingos de chuva. Aqueles grandes, de início de chuva. Chuva forte, chuvarada de burocracia. E São Pedro usa terno, é baixinho, careca e bigodudo. É ele quem manda ou não a chuva. Se a chuva vem, a colheita de resultados é certa, mas se ela não vem, acontece uma grande seca, nada avança. Ele tem o poder de decidir entre a prosperidade e a decadência.
Eu nem queria uma chuvarada, só um pinguinho era o suficiente. Uma carimbada no papel que eu segurava, uma merdinha de batida, só uma encostadinha de leve. Era só isso que eu queria para ter o resto do meu dia feliz. Mas o infeliz me deixou infeliz para o resto do dia.
Gostaria muito de tê-lo mandado tomar no cu naquela hora, mas por causa da bosta de educação que meus pais me deram, não o fiz. Mas faço-o agora, depois de uma pesquisa de sinônimos feita na internet, para que a coisa fique bem mais frondosa. E mesmo que o indivíduo analisado acima nunca leia esta dedicatória, cago e ando por causa disso. Então lá vai:
VAI TOMAR NO TEU apertante, alicatinho de cortar bosta, abraça piroca, argola, boca de caçapa, boca de velha, borra-linguiça, bosteiro, brioco, bufante, bueiro, bujão, buraco da serpente, buraco negro, butico, buzeco, buzigo, cagador, canal-dois, caneco, cano de escape, ceguinho, corta-trança, cortador de charuto, cofrinho, fuderenghus, dentrol, distinto, doisbigo, entrada de serviço, encapa-calabresa, escorrega-mandela, farinheiro, fedegoso, forebes, furico, fiofó, fedoroso, máquina de cortar merda, olho-cego, olho-da-goiaba, olho de porco, olho de trás, olho do cu, peidante, pelado, piscante, pregueado, pretinho, rigoleto, redondo, rebordedo, cagueiro, rego, roda, rodela, rodinha, rosa, rosado, rosca, roscofe, rosquete, rosquinha, roxinho, ruela, severino, soprador, tareco, tarraqueta, terceiro olho, toinho, tonhão, traseiro, tripa-gaiteira, vaso preto, ventil, zeferino, zerinho.

: Quindim é chuva
: Não adianta tentar correr
: Tu não busca.

Assim escreveu Roberval Piriri, se sentindo bem melhor depois do desabafo.


postado por quindim#neurótico 7:47 PM



{Sábado, Março 25, 2006}


¨%%$¨%$#@@¨%#Ä vidarecomeçaantesdeterminar%¨#$¨@&*¨%#¨


A tempos atrás alguém me viu e disse lá vai o Joselito, não é mais o mesmo, vai pra mais de semana quee está sobrio
Até me falaram que não está mais carburando a realidade. Só tenho uma coisa para esse cidadão: vais a puta que te pariu, o seu coco de cachorro piquenês!!!!
Não mais na rua enchendo a cara e caindo nas ruas, Continuo bebado mais em pé, chapado mai sem as sequelas transparecerem. Sou vagabundo e não burro, E ser vagabundo é saber se camuflar de toda e qualquer forma de trabalho, seja no emprego seja de se desculpar da mulher.

E alem do mais quem não sumiu.Por onde anda o Roberval, lambendo um bilau? e o baitaca , cara de cu? Bradock, bom esse nem merece comentários. Pelo que eu sei somente o Fly mantém a tradição da familia em alta. E o resto, é o resto.

FUI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Joselitro de conhaque com guaraná e gelo- desejando um feliz aniversário para o barbudius, que anda cada vez mais gay que nunca.



postado por quindim#neurótico 7:39 PM



{Quarta-feira, Março 22, 2006}


### Se uma mola gigante pular em você, isso é impulso...

Se o pára-quedas não te parou ou o cinto de segurança não te segurou, se a fome não passou ou a sede te secou, se a chuva te molhou ou a doença te agarrou, se o guarda te algemou ou a lama te afundou... Pense bem antes de reclamar. Afinal, o céu não está cinza só pra ti. E além do mais:
Quem tem merda de porco em baixo das unhas?
Quem usa uma caneta de dez cores?
Quem perdeu um bilhete da mega sena premiado?
Quem gosta de jogar damas no terraço e tem dado em casa?
Quem rasga a escritura da casa junto com a conta da luz?
Eihn, eihn, me diz se tu sabe? Pois não sou eu que vou te dizer. Eu também não sei. Ou sei? Sou o Rei Cinza. Sou o Rei do meu mundo / e não há ninguém / aqui eu posso tudo.
Posso até ter, ou somente ver.
Ser ou não ser. Posso ser e não absorver.
E, portanto, venho através desta, requerer o meu afastamento do quadro funcional desta empresa, por motivo de . PONTO PRETO NA TELA BRANCA. Não falo mais nada a respeito. Tirem as máquinas fotográficas, as filmadoras, não dou mais entrevistas. Chega! Vão embora, me deixem aqui, eu preciso me hidratar, gelo, mais gelo, por favor. E mais frio, chega de verão.
O verão é muito colorido, e quente. Três cores são o suficiente. Dez cores, ENFIA NO CÚ.
Cinza, meio sujo, meio limpo, cinza é meio. Não é preto, não é branco. É meio. Um meio. Um jeito de ser não sendo. Cinza não fez e nunca fará. Cinza é que nem Denorex, parece remédio mas não é. Parece veneno, mas não é. Cinza é o que não é. Ou não é o que é. NÃO. É. Ninguém entende o cinza.

: Quindim é cinza
: Um catarro disparado
: Para cima.

Assim escreveu Roberval Piriri, escarrando um mal na tela do computador. Na tela existem sessenta e cinco mil cores. Mas a impressora, ao lado, é cinza. E cinza é legal.


postado por quindim#neurótico 8:27 PM



{Sexta-feira, Março 17, 2006}


### Só gasto 90% do meu salário em trago. Os outros 10% ficam com o garçom...

Não dá pra dizer que o trabalho seja uma droga. Veja bem, não sei tu, mas eu não trabalho por prazer. Faço isso por que preciso disso para viver. Então, se o trabalho não me dá prazer, e preciso disso para viver, concluo que o trabalho é PIOR do que uma droga.
E para melhorar um pouco esse ambiente, quase casa, quase rua, é necessário achar algo agradável para fazer, alguma coisa para matar o tempo e se distrair das tarefas inúteis. Porque ficar lá oito horas e meia, e ainda ter que trabalhar, já é um pouco demais.
Um bom exemplo para isso é ser amigo do teu chefe, aquele cara que faz com que o teu trabalho seja sempre maior, em quantidade e/ou qualidade, do que o dos teus colegas. E isso acontece porque, provavelmente, esses colegas sejam mais amigos do teu chefe do que tu. Então pare de resmungar e tome uma atitude: transforme-se no melhor amigo do teu chefe!
E aproveite para fazer aquelas brincadeiras sadias que todos os bons amigos fazem uns com os outros, como colar avisos vexatórios nas costas dele, fazer um ataque surpresa com atilhos voadores nas orelhas, desenha-lo em posições não convencionais nas portas dos banheiros, servir, com um grande sorriso no rosto, uma bela xícara de cafezinho temperado com pimenta, ou simplesmente convidar outros amigos-colegas para frenar ele.
Tu vai ver que a tua vida no trabalho vai se tornar muito mais prazerosa. E, aí sim, tu vai poder dizer que o trabalho é uma droga.

: Quindim é rolha
: Serve para tapar buraco
: Da face caolha.

Assim escreveu Roberval Piriri, trabalhando para o bem estar do seu eu. E o meu eu sou eu mesmo.


postado por quindim#neurótico 6:44 PM



{Sábado, Março 11, 2006}


### Velhice é uma fase, criancice é para sempre...

Podem me chamar de antigo. De velho, de chato se quiserem. Mas eu ainda tenho, e uso, um walkman. Com luzinha vermelha e aquele botãozinho que rodeia para sintonizar as estações. E nele também escuto fitas, ta ligado, fitas. Nada de MP3, IPOD, TE FODE. Tudo porcaria, minimizam as coisas e elas, minimizadas, minimizam a qualidade.
E celular moderno então? Cheio de frescuras e funções e coisas e luzes e tal. Pura bosta. Com os meus dedos destroncados eu só consigo digitar alguma coisa segurando uma agulha. Coisa de fresco. Fresco rico.
E Palmtop? Mas vai te a merda. Vai pro computador e escreve lá. Ou puxa um bloquinho de anotações, que isso sim é algo importante para se levar no bolso. E já aproveita e anota nele o que tu escreveria, com o dobro de tempo perdido, naquelas porrinholas de agenda eletrônica.
Podem me chamar de chato. É, mas também podem me chamar de chinelão, afinal não tenho dinheiro pra gastar com essas merdas. Ta bom, tudo bem, podem me chamar de pão duro.

: Quindim é chato
: Mesmo assim tu vem aqui
: Feito um pato.

Assim escreveu Roberval Piriri, comendo o pão duro que o padeiro míope amassou.


postado por quindim#neurótico 2:50 PM



{Sábado, Março 04, 2006}


### Mais tranqüilo do que vaca na Índia...

Só precisei de um pano embebido em álcool e de um pouco de esforço. Limpei toda a sujeira em alguns minutos. A caixa tinha uma craca de gordura e poeira. Era uma meleca só, mas depois ficou uma beleza. Chegava a brilhar, de tão limpa.
Achei a caixa na rua, perto de uma lixeira. Não sei se ela havia sido perdida, esquecida ou deixada por lá. Se tinha dono, ou se era dona. Talvez uma graça, talvez uma desgraça. Um vínculo com o passado, ou uma reserva para o futuro.
Resolvi abrir a caixa, na esperança de encontrar um feixe de luz, ou um grito medonho de mulher louca, ou mesmo um simples vento fedido, de tempo a muito, muito tempo, esquecido.
Mas que nada. Lá só havia um bilhete, escrito em papel que nem amarelado estava, e que dizia:
¿Saudade é um parafuso
que drento da rosca cai
Só entra se fô trocendo
pruque batendo não vai
E despois que enferruja
nem destrocendo não sai.¿

: Quindim é parte
: Para achar o resto
: Vai para Marte.

Assim escreveu Roberval Piriri, viajando por aí, ali e lá também. Só volta quando sente saudades.


postado por quindim#neurótico 2:45 PM