quindins velhos


by noyz©

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{Sábado, Julho 30, 2005}


Como já devem desconfiar, realizo uma intensa pesquisa sobre drogas psicotrópicas na faculdade. Nesta minha incansável procura finalmente encontrei um inocente remédio para infecções na garganta: o benflogin, constituído de ibuprofeno e cloridrato de benzidamina, ambos anti inflamatórios.
Para comprovar fiz algumas incursões neste admirável mundo novo, e as transcreverei agora, para o leitor afoito por experiências extraconscienciais. Após a ingestão de alguns comprimidos, entornei umas cinco cervejas, pois essa boleta só funciona conjugada com o álcool. Os efeitos demoraram algum tempo para aparecer, mais ou menos duas horas. Dei preferência a locais com bastante luzes piscantes e som alto, o que aumenta a intensidade das alucinações, como alguns amigos já devem saber. O primeiro efeito foi um chuvisco, quando se troca o foco do olhar, e um atraso na imagem, o que dá um efeito ¿slow motion¿. Depois, comecei a ter ilusões de ótica perfeitas, que ganharam vida e dançaram na minha frente. Eu, por exemplo, enxerguei o Pateta, o Papa-léguas e o Coiote, entre outros personagens. Quando fechava meus olhos ouvia vozes e chiados. E por ai vai, um verdadeiro barato!
Mas todos sabem que nada é perfeito: a ressaca pode ser maior que um elefante, além disso o cara não dorme.
Recomendações: tomar bastante líquido durante a viagem; não tomar esse medicamento mais de uma vez por mês (caso contrário cria-se dependência e pode trazer prejuízos à saúde); nunca exceder 20 comprimidos (se essa quantidade não estiver mais lhe dando nada interne-se urgentemente para desintoxicação); utilizem as drogas com parcimônia e discernimento.
Dicas da pharmaceutic trainee Maria Ruanita.


postado por quindim#neurótico 9:35 PM



{Quinta-feira, Julho 28, 2005}


### O gato goeu a goupa do gei de goma...

Explicações, explicações. Ah, as explicações! Funcionam quase que em um processo fodológico: uns querem, outros dão. Explicações podem foder com a vida de alguém, podem encher o saco de outros, podem ser engolidas ou cuspidas, há quem daria qualquer coisa por ela, há quem daria ela por qualquer coisa.
Explique-se! Exijo uma explicação! Anda, quero explicações, e quero bem rápido! Explicações devem ser dadas! Explique isso exatamente! Esperamos por explicações conclusivas, agora, já! - E explique já! E explique o agora! E explique as conclusivas! E explique suas explicações, se isso for explicável.
Mas há coisas não conhecidas, coisas não entendidas, coisas suspeitas, e, portanto, não explicáveis. E mesmo que se tente, que se force uma explicação, ela não explica nada. Ou explica nada. Ou não explica tudo.
Eu não gosto de me explicar, e explico o porquê: porque não gosto de me explicar. Mas porque? Qual motivo? Desde quando? Como começou? E um trauma? É uma doença? Não se sente bem? Tem que se tratar? Existe cura? Já pensou em se curar? Quer ajuda?
- Não.
- Mas porque não?
- ...

: Quindim é alça
: De um monte de malas
: Que aqui passa

Assim escreveu Roberval Piriri, sem explicação.


postado por quindim#neurótico 8:22 PM



{Terça-feira, Julho 26, 2005}


Se lembro a senha
e entro aqui e
não lembro o que eu sei
fico perdido no branco
do pixel tecnicolor
o telefone chama
joselito
me diz que o cara tava
tava de anirversario
e ouço alguém gritar na rua
mas hoje em dia sempre tem alguém
xingando na rua ou mandando
um telegrama sem remetente
pra um prédio comercial
endereçado ao 5º andar
sala 171 onde o destinatário
le seu nome escrito errado
mas sabe que sim, que é sim,
que só pode ser alguém que está
por lhe cercar e atazanar a vida
enquanto o cara que estava de aniversário
já não está mais
e sem que eu soubesse ou desconfiasse
elito ainda falava sobre João bosco
e eu lembrei também Chico, o Buarque
muito bem então vocês não acham,
que uma visão assim tão distorcida
pode apresentar vários outros angulos
menos informais de toda um cena e as suas
camadas de tempo ocorrendo ao mesmo e porque não diferentes tempos
e distâncias tão emcapadas em fios sinais de rádio satélite radar
em ondas
ou pulsos
E a pergunta
sobre o que significa tudo
isso se tornou algo pedante
e estragou.


postado por quindim#neurótico 8:24 PM



{Domingo, Julho 17, 2005}


### Ver de verdade é ver de verde...

O doutor Roberval Piriri quer lhes falar sobre uma coisa que aprendeu um dia desses: ¿ TREPANAÇÃO ¿ é o nome. Não se trata de putaria, não tem nada a ver com o congresso, não tem a ver com o PT.
Segundo John Verano, um professor de antropologia da Tulane University, a trepanação é o simples processo de fazer um buraco no crânio. É a mais antiga prática cirurgica, e ainda é realizada cerimonialmente em certas tribos africanas. Para se ter uma idéia, foi encontrado, na França, um crânio trepanado, datado de cerca de 5000 aC.
Verano acredita que a trepanação é o modo de conseguir uma maior consciência. Ele queria ser psiquiatra, mas falhou os exames de obstretícia. Em 1965, após anos de experiências com LSD, cannabis e outras drogas, ele compreendeu que o caminho para a iluminação era através de um buraco no crânio. Usou uma furadeira eléctrica, um escapelo e uma agulha hipodérmica (para administrar uma anestesia local). A operação demorou 45 minutos. E como é sentir-se iluminado? "Sinto-me como quando tinha 14 anos", afirma Verano.
No passado, a trepanação era aparentemente usada para aliviar pressão no cérebro causada por traumas, doenças ou libertar espiritos maus. A primeira ainda é aceita como procedimento médico. A última morreu nas partes do mundo em que o conhecimento cientifico substituiu crenças nos demónios invasores. Mesmo assim, Verano conseguiu atrair alguns seguidores, que agora também têm buracos nas suas cabeças.

: Quindim é livro
: E registra a história
: Do improviso

Assim escreveu Roberval Piriri, afiando a broca da furadeira.


postado por quindim#neurótico 7:51 PM


Acordo com o som de ¿lacucaractha¿ do despertador... me destapo, sento na cama, saio da cama, caminho até o banheiro, uso o vaso, lavo o rosto, escovo os dentes. Volto pro quarto, me visto: sutiã, camiseta, calça, meias, all star. Vou até a cozinha, abro a geladeira e, nada! Tomo um copo de água, pego a mochila.
Abro a porta: chave do meio, tranca de cima, dobermam em baixo; fecho a porta: chave do meio, dobermam em baixo, tranca de cima; abro a porta da grade, fecho a porta; desço noventa degraus; abro a porta do prédio, bato a porta; abro a grade do prédio, fecho a grade; ando até a esquina, entro na Olavo Bilac, sigo pela João Pessoa, dobro na Luís Manoel, atravesso a Santana, sigo pela Ipiranga, corto a Ramiro, caminho mais um pouco e chego no prédio; subo cento e cinqüenta degraus, entro na sala, caminho cinco filas e oito colunas, alguns ¿com licença¿ e outros ¿desculpa¿, sento; abro a mochila, pego a pasta, tiro uma folha, fecho a pasta, devolvo a pasta, abro a bolsa da mochila, pego o estojo, abro o estojo, pego uma caneta, fecho o estojo, devolvo na bolsa da mochila, fecho a bolsa da mochila.
Escrevo a data, olho uma pessoa falando, mas do que ela tá falando? Reticências. A pessoa fala cinqüenta minutos de baboseiras, sem parar, e, de repente, o silêncio. Olho na folha: só rabiscos e desenhos sem sentido. Todos começam a sair, ando oito colunas, mais cinco fileiras, desço os cento e cinqüenta degraus, sigo até a Ipiranga, ando até a Ramiro, atravesso a Santana, dobro na Luís Manoel, sigo pela João Pessoa, entro na Olavo Bilac, caminho até o prédio; abro a grade, fecho a grade; abro a porta, bato a porta; subo noventa degraus, abro a grade, fecho a grade; abro a porta do apê: chave do meio, tranca de cima, dobermam; entro, jogo a mochila no chão, fecho a porta: chave do meio, dobermam, tranca de cima.
Enfim... às vezes minha vida parece sem sentido. Todo esse esforço sobre humano prá que?

É apenas uma das manhãs de Maria Ruanita.


postado por quindim#neurótico 7:51 PM



{Domingo, Julho 10, 2005}


### Ãhmm, será que vai chover merda hoje? Eu trouxe o meu cuarda-chuva-de-merda...

O colchão fica no chão. Não se vão os trapaceiros da televisão - Guarda dinheiro na cueca? Eu não, não tenho. Mas, se tivesse, guardaria em baixo do colchão. Que fica no chão.

Minhas armaduras são de aço. Não enferrujam não. E não se vão os trapaceiros da televisão - Eu só ganho dinheiro se trabalhar durante um mês inteiro. Mas o nome disso não é mesada, nem mensalão, é salário. Grande coisa, baita merda, mal paga o meu pão. Orgulho besta. Ser sério é ser bundão. Eu não uso mais as minhas armaduras de aço, não passam pelo meu bundão. De que me adianta que elas não enferrujem?

Eu quero ser deputado
Porque lá eu mesmo
Escolho o meu horário
E aumento o meu salário

Eu sou o pateta da cara de pau, do olho de cego, da cara de mal informado. A culpa é minha, a culpa é tua, a culpa é nossa, a culpa é deles, a culpa é do diabo, a culpa é de deus, a culpa é do buda, a culpa é de alá, a culpa é das bruxas, a culpa é do pastor, a culpa é do boxer, é do pitbul, do chiuaua, do vira-lata, do lingüiça, da salsicha, do salsichão, da perdigão, do perdão.

: Quindim é cama
: Bem arrumada em cima
: De poça de lama

Assim escreveu Roberval Piriri, nervoso, brabo, irritado e bêbado demais para escrever uma frase de despedida. Vão a merda.


postado por quindim#neurótico 3:03 PM



{Sexta-feira, Julho 08, 2005}


TRÊS COISAS

1 - Nossos personagens assassinos, sempre dão trabalho com todao aquele sange. Pensamentos dementes.
2 - Não lembro.
3 - Quando você acha que já viu tudo você ainda não viu ted maxx.



postado por quindim#neurótico 9:49 PM