quindins velhos


by noyz©

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{Domingo, Junho 26, 2005}


### E o que é que o Cu tem a ver com a tabela periódica?...

(sábadoaniote no bamboo¿s) - Eu acho que eu fui. Ou talvez sonhei que fui. Não me lembro direito, tá tudo embaralhado. Os registros se confundem. E são muitos registros, vinte e oito anos e tal.
A última coisa que me lembro direito é de um café da manhã, eu tinha seis anos de idade e comi bolo de chocolate com manteiga e sucrilhos. Daí eu saí de casa e... não lembro direito. A partir daí a minha memória embaralha um pouco.
É, eu comecei muito cedo no mundo das drogas. Desde pequeno me enchia de porcarias, e é agora que eu sinto os reais efeitos daquilo tudo. Porres de coca-cola, cafungadas em baunilha, aquelas pastilhas de menta, cigarrinhos de chocolate, e o pior de tudo, eu até me envergonho de falar, mas já que eu puxei o assunto, lá vai: pratos e mais pratos de sucrilhos, pratos fundos recheados de sucrilhos, sucrilhos caindo pelas bordas, verdadeiras bacias, baldes de sucrilhos.
Mas agora isso tudo mudou, estou em tratamento, estou a 528 dias sem consumir sucrilhos, cada dia é um novo dia, uma batalha para suportar a minha dependência. Meu nome é Roberval Piriri, e esse foi o meu depoimento. Obrigado.

: Quindim é bola
: Então vê se passa logo
: E não enrola.

Assim escreveu Roberval Piriri, que agora não bebe mais coca-cola pura.


postado por quindim#neurótico 11:37 AM



{Sábado, Junho 25, 2005}


Caros quindins resistentes

beber amanhã (sábadoaniote) no baboo´s quem quiser, vinho tinto suave e
e encontrar umas 'figuras' incógnita. Todos convidados aê!
vander




postado por quindim#neurótico 12:27 AM



{Domingo, Junho 19, 2005}


Espelhos não mentem: não dizem nada.
não tenho olhos na frente do espelho,
meus braços me envolvem
minha dor se conforta
o que é estranho já nem parece feio
da raiz até fim dofiodecabelo
uma idéia vagando em silêncio
faz a pupila apreciar mais perto
mais perto e um pouco mais
o couro branco e cabeludo por onde eles se escondem
do mundo de fora
e das horas que eu passo tentado descobrir
de onde nascem
de onde saem
todas essas vertigens do pensamento natural
e aparentemente ilógico
que me planta
com olho no olho de vidro
entrando pro fundo do olho
de vidro para redescobrir
replaicadas as perguntas
e perguntas vidradas
no espelho do espelho
do espelho que fica na sombra
que sobrou no fundo do olho


postado por quindim#neurótico 1:41 AM



{Sexta-feira, Junho 17, 2005}


### Eu não minto, mas ninguém acredita. Até o Elvis me chama de mentiroso.

Continuando a minha limpeza por debaixo da escada, aquela do post anterior, revi outras coisas. Coisas que me fizeram lembrar daquele meu irresistível prazer de passar as madrugadas vento TV, e bebendo conhaque. Era naquele tempo do desemprego, e a TV de programação aberta só era possível agüentar em estado adulterado de convalescência.
Nesse estado ¿qualquer droga era boa¿, qualquer bosta virava muito engraçada ou muito séria. Quando ficava engraçada tudo bem, o máximo que eu fazia era rir até o limite do mijo nas calças. Mas se o programa ficava muito sério, aí era foda. Me lembro daqueles programas da igreja universal, entre a zero hora e o amanhecer, que povoavam dois em cada três canais que ainda não haviam saído do ar.
Me lembro que foi com base nesses programas que comecei, com insistência, a desenvolver uma técnica para a escolha dos pesadelos que teria durante o meu sono. Sim, eu escolhia pesadelos, nunca sonhos bonitos, com mulheres lindas, carros possantes, dinheiro saindo dos bolsos, festas e lugares perfeitos. Isso seria um simples sonho, ou reles expelida de porra, algo que deixa, no máximo, uma vaga lembrança, esquecida logo depois que se acorda.
Eu queria mais. Pesadelos. Eles são lembrados por mais tempo, são curtidos bem mais. Acredito que qualquer história horrenda, vivida em um filme egocêntrico, faz o dia seguinte mais rentável. Torna uma manhã chuvosa e gosmenta em uma linda manhã de plena realidade.
E foi assistindo TV de madrugada que obtive vários bons pesadelos. Mas os melhores, sem nada que se compare a eles, foram os pesadelos ganhos depois de olhar os programas da igreja universal, com aqueles depoimentos de gente que perdeu tudo por causa de encostos, e as palavras dos pastores pregando, os ritos de exorcização praticados ao vivo, coisas que criavam os mais imperfeitos, desconexos, imprecisos, enfim, pesadelos rinocerontes. Os melhores.
A coisa sai de qualquer tipo de tentativa de controle, é substancial, visceral, irracional. A sensação de querer se mexer, usar toda a força, mas não conseguir deslocar um dedo sequer contra aquelas mazelas, o pavor do não perfeito, a semi realidade do absurdo, a surriada.
E então eu acordava, e com preparo e concentração, sorrindo daquilo tudo.

: Quindim é causa
: Desse efeito ruim de beber
: Vodka falsa

Assim escreveu Roberval Piriri, um picles de Afrodite guardado em um pote redondo e espelhado.


postado por quindim#neurótico 8:53 PM



{Sábado, Junho 11, 2005}


### Não basta ter paz, tem que reclamar...

Eu não tinha nada para fazer. Fazer o que? Nada. Mas eu não me contento com nada! O nada pra mim não existe, é nada! Fazer o que, então? Limpar aquele canto que fica embaixo da escada é uma boa escolha.
E lá estavam, encobertas por poeira empedrada e resíduos mortais de baratas, muitas revistas, papéis, livros e seus maiores apreciadores, as traçadoras traças. Também se escondiam lá as latas de cerveja vazias, os tocos de madeira, os cacos de piso, as raspas de concreto, enfim, o fim das coisas ali habitavam, sobraçadas à escada.
Também encontrei, naquela coleção de fins, um pensamento, ou sonho antigo, aquela coisa que todos os poeirentos, cuidadosos, fedorentos, amados, reticentes ou recordistas já quiseram ter, aquela simples sensação de acordar de manhã com a verdadeira vontade de começar um dia. Aquele lance de comercial de café da manhã: o cara acorda com um grande sorriso, põe a roupa e vai trabalhar, ainda sorrindo.
Mas isso é sonho, ou comercial, não existe. Essa felicidade não dura mais do que três ou quatro minutos. Logo vem o arrependimento, o medo, a ânsia, enfim, fraquezas tão fortes de um Ego não acostumado à felicidade.
Felicidade é só uma palavra que define um sentimento, mas que na realidade não se sustenta como na fantasia da palavra.

: Quindim é vinho
: Quem não sabe beber direito
: Bate o sininho

Assim escreveu Roberval Piriri, intimidando a infeliz poeira que se acumula: Beba, sua imbecil! Beba e vire uma pastosa massa de sujeira feliz!


postado por quindim#neurótico 5:34 PM



{Quarta-feira, Junho 08, 2005}


mosaico-cotidiano-matinal-de-uma-segunda-feira
ou
café que toma elevador


Um cliente me entregou um livrinho de mensagens positivas e pediu que eu abrisse em uma página qualquer. eu abri até duas: Pensamento 1: eu não lembro o que foi, por que não fez muita diferença, mas se tratava basicamente de uma mensagem de fé e esperança. Pensamento 2: obviedades. Quando eu acabei o serviço, e já estava no elevador, ele parou no sexto andar, suas portas se abriram burocráticamente mas o único a entrar foi o cheirinho de café passado que passeava pelo corredor matinal. e entrou na minha mente também, que senti a minha boca salivar por um pretinho amargolento e um cigarrinho fumegante. Mas se você é um cara desprovido de qualquer conceito religioso ou filosófico, e aproveita só as melhores partes de cada coisa que vai achando pelo caminho dos elevadores da cidade, sabe muito bem que não tem nada a perder em satisfazer ou não uma vontade sua, e o café ficou pra depois do almoço e o cigarro ficou pra quando eu não aguentar mais de vontade de satisfazer meu cérebro sem vergonha com nicotinha e monóxido de carbono, afinal estamos vivendo numa época nunca antes vivída por ninuém e é nisso que eu me baseio pra dizer que desconfio sinceramente que não faça diferença alguma dizer sim ou não seja pra você mesmo seja pra que for, só depende da forma, pois a forma nunca esteve tanto em voga como está hoje, e enquanto penso isto já estou no mercado público perambulando por uma variedade de cheiros e cores e gente e preciso de 1,75 pra pegar o meu onibus e ir almoçar e eu devia estar envergonhado de ficar trabalhando de graça mas a diferença está na forma e é nela que eu faço tudo imaginando - ou melhor - acreditanto no que a terra nos ensiana desde o início de tudo, então eu tô plantando e espero que vocês estejam numa boa até.
fly

postado por quindim#neurótico 10:38 AM



{Domingo, Junho 05, 2005}


### Mais vale um pássaro no chão do que dois cagando...

Uma novidade daquele maldito lugar onde eu trabalho: algum gerente sem serventia criou um novo BBB ¿ o Big Brother Banheiro.
Funciona assim: instalaram câmeras de vídeo nas portas dos banheiros, para o simples motivo/prazer de cuidar o tempo de uso do local pela peonada.
Porra, câmeras? E logo no banheiro? Um lugar tão cheio de carisma, cheio de idéias, cheio de mau cheiro, cheio de lixo, cheio de merda, sim, mas, afinal, é o melhor lugar do meu ambiente de trabalho.
É fato que os banheiros são usados por alguns como hotel, propiciando bons minutos de sono, ou como motel, para o sexo manual, ou mesmo como muro de recados, mas será que isso é motivo para alguém cuidar o tempo do meu mijo? E será que esse cara não tem mais nada pra fazer além de cuidar as portas dos banheiros? O que será que ele fica pensando enquanto olha os funcionários entrando no banheiro? Esse cara seria puto? Será que ele fica tentando adivinhar o tamanho do pau dos outros? Quem é esse filho-da-puta?
Mas eu, que vim a esse mundo a passeio, já encontrei uma maneira de burlar esse (ou esses, não sei, talvez sejam vários putos filhos-das-putas!) cheira-peido: eu coloco um saco de papel na cabeça e entro correndo no banheiro.

: Quindim é foda
: Quando tu passa a entender
: Ele te enrola.

Assim escreveu Roberval Piriri, com mais uma novidade: também colocaram detectores de metais nas portarias. Isso significa que caiu a casa daquele esquema do LC150.


postado por quindim#neurótico 10:11 AM



{Sexta-feira, Junho 03, 2005}


Estação da subversão!
Tem alguém querendo te dar mão, e te levar pruma noite escura onde rolam madrugadas fumegantes dentro de salas onde existem palcos e caixas empilhadas e gente em cima de palcos e gente em mesas e escadas e entradas e banheiros e certos sons emanando como se fosse da própria noite esmagada dentro da cabeça e de fora da cabeça e de todos os lados das paredes úmidas e dos olhares desconhecidos na penumbra embriagada de bares perdidos pela face do planeta terra mais precisamente no sul do continente americano mais precisamente no centro de coisa nehuma ou em porto alegre ou em são leopoldo ou mesmo em canoas onde as noites são mais mortas do que noites propriamente, mas sem que isso afete, de forma alguma, a suas características mais pessoais por que você vai se quiser e se quiser ir então vá vivente e não perca os faboluosos destinos de cada um de nós se apodrencendo dentro de garrafas caramelo com baseados entre os dedos e todas essas coisas de liberdade e subversão na nossa mais pirada estação fora de época: primaveradepraga porque um dia tudo isso acaba, e aí voce já era.

postado por quindim#neurótico 7:35 PM